Como vencer os desafios em 2017

19 jan 2017

 

2017

Gosto muito, até por dever de ofício, de ler publicações e assistir a palestras de autores do management.
Mas tenho descoberto conteúdos muito ricos também em vias alternativas, por exemplo, em publicações e palestras dos índios Kaká Werá e Ailton Krenac. Eles apresentam a riqueza da cultura e a sabedoria de seus povos juntamente com pitadas acadêmicas.

Em uma de suas palestras, um dos caciques relembrou a história de indígenas pacificados que davam apoio a Bandeirantes em desbravamentos para estender as fronteiras luso-brasileiras. Em marcha frenética, os Bandeirantes exigiam maior pressa dos índios para abrir caminho, já que eram eles, os nativos, os conhecedores dos segredos da terra. Por maior que fosse a pressão sobre eles, os índios teriam parado de avançar sob o argumento de que haviam corrido muito.

Segundo eles, nessas condições de tanta correria suas almas teriam ficado para trás e, para avançar com sucesso, impuseram uma pausa para esperar que suas almas chegassem. Enquanto esperavam as almas, redefiniram estratégias, reorganizaram-se e encontraram motivação em suas rezas e danças.

Cinco séculos depois, temos um ano difícil, desafiador e muito corrido. Corremos- de persistentes que somos, para não dizer teimosos- para cortar custos, vender, abrir novos mercados, manter o nível de emprego, pagar as contas e para encontrar uma tal luz no fim do túnel. Esperávamos fechar 2016 em condições melhores do que as que estamos encontrando. Por isso, continuamos correndo freneticamente- se não para ampliar, no mínimo para manter nossas fronteiras de mercado.

É recomendável que, após tanta correria, paremos para esperar que nossas almas cheguem e se reincorporem a nós.  Nessa pausa, podemos rezar e até dançar para encontrar motivação. Mas devemos aproveitar para planejar. Assim, ampliaremos as chances de ser vencedores em 2017, que certamente também não será um ano fácil.

Seria ingênuo pensar que as reformas em curso pelo governo produzirão efeitos no curto prazo. O estrago feito na economia ainda exigirá muito sacrifício. No curto prazo, poderemos, sim, contar com a melhoria dos ânimos de investidores, mas não necessariamente com o seu dinheiro. Pelo menos em volumes capazes de aquecer de forma significativa a economia. Segundo especialistas e o FMI, o PIB do país deverá crescer dois dígitos, com uma vírgula entre eles: 0,5%. E, pior, sobre uma base que foi brutalmente achatada nesses dois últimos anos.

Depois de toda a correria, se fizermos uma pausa como sugere a sabedoria indígena, o que nossas almas trariam para nossa reflexão?

Acredito que nos convidariam a continuar reduzindo custos- não tanto por cortes, mas pela otimização de processos e compartilhamentos. Agregando mais benefícios aos negócios, para que os clientes percebam valor, e não somente preço. Explorando competências adjacentes. Trariam para reflexão, também, a possibilidade de fracionamento de entregas e, consequentemente, de custos de produção e de faturamento para os clientes, facilitando os fluxos de caixa. Fracionamento de embalagens para facilitar a vida dos clientes finais. Desenvolvendo uma comunicação eficaz com os clientes, capaz de estabelecer uma genuína conexão com eles.

Certamente, as almas nos alertariam de que continua valendo a intensificação de negócios com clientes atuais e a prospecção de novos clientes e mercados. E, acima de tudo, as almas nos aconselhariam a incorporar definitivamente todo o aprendizado imposto pela crise, pois isso será muito útil no futuro, até mesmo em momentos de bonança.

Júlio Miranda
Presidente da Miranda Consulting e Diretor do Conselho de Presidentes
julio@mirandaconsulting.com.br

 

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