Compliance e Consciência  – I –

09 ago 2017

consciência 1

Quando a consciência é fraca, o compliance está ferido de morte. Como há consciências debilitadas sociedade afora, não poucos são os casos de non compliance que vemos se multiplicando todos os dias. Basta acessar um site de notícias, abrir um jornal ou ouvir um noticiário.

Pretendo escrever alguns breves artigos sobre este tema fascinante, com o qual tenho lidado nestes últimos anos, com o objetivo de provocar uma reflexão sobre o assunto e incentivá-los ao protagonismo de uma revolução comportamental, que vou chamar de contracultura.

Neste artigo introdutório, quero conceituar as palavras compliance e consciência, para então, nos próximos, trabalhar a tese de que sem uma consciência saudável, por mais que se implementem ferramentas de controle, a criatividade e genialidade do ser humano – e a do brasileiro em especial – será capaz de suplantá-las, quando estiver determinado a agir em benefício próprio, a despeito dos prejuízos causados a outrem.

Não encontramos uma tradução para o português, que tenha se difundido a ponto de tomar o lugar do termo original da língua inglesa, razão pela qual utilizaremos sempre o termo em inglês. Por compliance, quero me referir a uma atitude ou comportamento alinhado aos valores, princípios, regras e normas de uma organização ou de uma sociedade. Assim, ser compliance é agir em harmonia com estes valores e princípios, dentro dos limites estabelecidos pelas regras e demais códigos de conduta aplicáveis, sejam leis, normas, práticas culturalmente aceitas, regulamentos ou procedimentos. Neste conceito, vale acrescentar que estes valores ou códigos podem estar ou não formalmente escritos. Sempre que ferimos quaisquer destes valores ou códigos, incorremos num comportamento non compliance.

Já o termo consciência, pode ser utilizado com vários e diferentes sentidos:  noção ou conhecimento de algo; faculdade do autoconhecimento, própria do ser humano; cuidado no desenvolvimento de um trabalho, entre outras possibilidades. Com relação ao nosso tema, por consciência me refiro àquela voz interior que conversa com a mente e nos posiciona quanto ao que é certo ou errado, quanto ao que deve e não deve ser feito, o que deve ser dito e o que deve ficar oculto nos pensamentos.  Esta voz interior é educada, cresce e amadurece. Ela pode ser moldada pela vivência, pela experiência, por influências externas, pelo ensino, pela disciplina ou falta dela, pelos valores espirituais, pela fé ou conjunto de crenças que se abraça. Esta voz pode ser mais ou menos ativa, falar mais alto ou mais baixo, ser mais ou menos exigente, restringir ou liberar comportamentos, ser mais ou menos sensível, dependendo da conjunção dos vários fatores a que foi submetida, ao longo do seu processo de amadurecimento.

Diante desta conceituação, entendo que compliance e consciência são coisas conectadas, que andam juntas, inseparáveis, no sentido em que a consciência será sempre o último juiz do nosso comportamento. Se uma regra me parece tola e desnecessária, quem definirá se devo ou não segui-la será a consciência. E mais, mesmo em situações completamente novas, que jamais tenham sido previstas em qualquer código escrito, agiremos de uma ou de outra forma, tomaremos uma ou outra decisão de acordo com a consciência.

Concluo esta breve introdução sugerindo que entre decisões e comportamentos compliance ou non compliance, podemos experimentar com frequência, uma guerra brutal entre razão, desejos e consciência.  Minha tese é que todas as vezes que agimos contra a consciência, teremos incorrido em non compliance. Sem entrar no mérito da qualidade da consciência, defendo esta posição pela simples incoerência entre os valores e princípios ditados pela consciência e o comportamento.

 

Jedaias Jorge Salum

Planejamento Estratégico
Governança Corporativa
Jedaias@hotmail.com

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