Compliance e Consciência – IV –

30 ago 2017

consciência 4

Antes de enfrentar qualquer desafio, todos nós fazemos estas ou perguntas parecidas: Como e o que temos que fazer para atingir os objetivos? De que recursos precisaremos? Quanto tempo será necessário? Quem será responsável pela execução? Pois então, diante da proposta de alinhar fileiras na formação de boas consciências como a melhor prevenção de comportamentos non compliance, perguntas como estas estarão naturalmente rondando a nossa mente.

As organizações são compostas por pessoas com as mais variadas experiências de vida, começando pelo histórico familiar, passando pela educação básica, formação religiosa, convivência social, entre outras inúmeras complexidades, que culminaram com o produto que temos em mãos para trabalhar, ou seja, as pessoas, como elas são e como elas estão neste exato momento, com valores e princípios sedimentados em sua personalidade e caráter.

Algumas estarão mais firmes e preparadas para as provas da vida, outras em franco processo de desenvolvimento e outras ainda muito imaturas, frágeis, sendo presas fáceis da cultura de levar vantagem em tudo. Importante observar que mesmo as mais preparadas não estão completamente imunes e podem, eventualmente, cometer seus deslizes.

Eu poderia cair na vala comum de sugerir a elaboração um sofisticado plano de ação ou a criação de um complexo projeto para formação de boas consciências, mas este não é o caminho que escolhi sobre como podemos contribuir de forma efetiva no atingimento do nosso objetivo. Sendo um tanto simplista, mesmo que planos e projetos sejam fundamentais, por ora, vou deixar estas coisas mais elaboradas em segundo plano e me concentrar no ponto que julgo ser crucial, divisor de águas: o exemplo.

Neste momento, faço uma chamada para a próxima série de artigos que pretendo escrever sobre compliance e o exercício do poder, particularmente no sentido em que os que estão investidos de qualquer nível de autoridade são referência para os seus liderados, o seu exemplo fala alto, é visto e observado cuidadosamente por todos. Há um ditado que diz que um exemplo vale mais que mil palavras e é exatamente este o ponto que quero valorizar na questão da formação de boas consciências.

O nosso exemplo chamará especialmente a atenção, não naqueles momentos em que tudo está correndo dentro dos padrões, princípios, leis e procedimentos, mas de forma profunda e intensa naquelas situações em que as nossas intenções e caráter serão frontalmente colocados à prova. Se fraquejarmos nestas desafiadoras circunstâncias, se avançarmos por descaminhos na busca de melhores resultados ou de certas vantagens, então nossas palavras e ensinamentos não mais serão ouvidos e não terão nenhum valor em nossas organizações.

É muito comum que após desvios desta natureza, o passo seguinte seja um processo de racionalização e convencimento, para justificar a decisão ou o comportamento adotado. A triste notícia é que este esforço será totalmente inútil e não logrará êxito. O exemplo já foi devastador.

Em momentos de decisão como estes, é exatamente o exemplo que validará ou destruirá o discurso. Se agirmos de forma coerente com o que cremos e dizemos, então este exemplo fortalecerá o processo, será um marco e influenciará de forma construtiva a vida de todos. Se, por outro lado, cedermos à tentação de levar ou conceder alguma vantagem indevida e desconsiderarmos valores e princípios até então defendidos, não haverá controles suficientes para deter a criatividade e o jeitinho do nosso povo.

O melhor ensino é o exemplo!

Jedaias Jorge Salum

Planejamento Estratégico
Governança Corporativa
jedaias@hotmail.com

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Comentários

  1. Excelente esta série de artigos Jedaias, parabéns pela clareza, abrangência e profundidade.

    Achei especialmente valiosa a ligação com a consciência, porque, de fato, esta é a grande questão, visto que, até para se ter vida Cristã real, a Palavra de Deus nos alerta para uma boa consciência em tudo o que se faz a todo o tempo e circunstância, pois aqueles que assim não procedem, por não a possuírem ou por a afrontarem continuamente, acabam por tê-la cauterizada, explicando, desta forma, a necessidade de sistemas de controle e punição.

    Como podemos ver aqui:

    “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. 1 Timóteo 1:5
    E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens. Atos 24:16”

    Ou na sua falta, como aqui:

    – “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. 1 Timóteo 1:19”
    ou ainda aqui:
    “Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; 1 Timóteo 4:2”

    Fazendo extremamente verdadeira esta sua posição na Parte III

    “Tomando esta premissa como verdade, o nosso grande desafio é promover e incentivar a formação de consciências saudáveis, sensíveis, vivas, ativas, que gritem e se façam ouvir diante de dúvidas ou decisões a serem tomadas. Se todos tiverem este tipo de consciência, amadurecida, pura, sadia, ligada e disposta a se pronunciar sempre e com o vigor necessário, os resultados serão encantadores.”

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