Conduta ética nos dias de hoje.

Inicio esta nossa conversa com uma frase tirada do livro “Reflexões para O despertar da Consciência Ética” do prof. Vanderlei de Barros Rosa:

“Afinal, o que é Ética? Ética é algo que todos precisam ter. Alguns dizem que têm. Poucos levam a sério. Ninguém cumpre à risca.”

Hoje em dia, sem menor esforço, podemos observar a quantidade de notícias de escândalos envolvendo as esferas públicas e privadas, em nível mundial.

A impressão que temos é a de que existem presentes três situações, a saber:

Há o segmento historicamente manipulável da sociedade que, pela ignorância do que seja ética e de como agir de forma ética, aceita tudo o que lhe é apresentado como bom e devido.

A outra categoria, muito embora não ignore a definição de conduta ética, no seu dia a dia pratica o “levar vantagem em tudo”, também conhecido como “Ganha perde”.

No meio dessas duas categorias se encontram aqueles que são sensíveis ao tema e procuram, a duras penas, levar a vida pautada pelos princípios éticos.

A sensação que fica é que esta é a que tem menos acólitos, não?

Para entender um pouco do que se passa, vale recordar a teoria sobre ética e em seguida fazer um diagnóstico do que está ocorrendo e propor uma ação.

Vamos juntos nesse exercício?

Segundo o Professor do FGV Severo Hryniewicz, a Ética propõe-se a responder à pergunta:

Como o homem deve agir para realizar o bem?

Sob esse ponto de vista, podemos falar em quatro grandes linhas da ética:

· Éticas da virtude;

· Éticas do interesse ou utilitarismo;

· Éticas do dever;

· Éticas de situação ou relativismo.

As éticas das virtudes assentam-se na tese de que o intelecto deve afirmar-se sobre as paixões, os desejos e os instintos.

Aristóteles partia da observação de que todos os seres viventes aspiram à plenitude.

O homem ético é o que consegue ou que possui a justa medida. Ele não cometerá erros nem por excesso nem por falta; procurará atingir a constância na prática de ações boas ou virtuosas (vide Ética a Nicômaco).

O princípio da utilidade formula-se como uma ação que é útil, justa e, consequentemente ética quando traz mais felicidade do que sofrimento aqueles que são por ela atingidos.

As éticas do dever defendem a tese de que devemos sempre agir com o objetivo de cumprir o dever moral, mesmo que isso possa custar muito para aquele que o cumpre.

Já as éticas de situação ou relativistas propõem a tese de que a ideia de bem varia de acordo como tempo e a situação.

Também menciono, para nossa reflexão a ética socrática que reside no conhecimento e em vislumbrar na felicidade o fim da ação. Essa ética tem por objetivo preparar o homem para conhecer-se, tendo em vista que o conhecimento é a base do agir ético. Ao contrário de fomentar a desordem e o caos, a filosofia de Sócrates prima pela submissão, ou seja, pelo primado da ética do coletivo sobre a ética do individual.

Dito isso fica aqui a indagação: Por que temos hoje esse quadro de falência total das instituições do ponto de vista ético? O que podemos fazer para mudar essa terrível realidade?

Pela minha leitura, por uma causa que também se traduz por uma palavra de poucas letras, a exemplo da ética, é via EDUCAÇÃO.

Estamos hoje disponibilizando ao mercado, profissionais que foram capacitados para se dar bem na vida, custe o que custar.

Sabedores que somos de que a formação do caráter se dá até os oito anos, precisamos, com urgência, de uma educação de qualidade baseada em valores.

Esse é o único caminho para mudar esse status quo.

Luiz Fernando de Araújo Bueno
Professor da FGV e Diretor Titular do Departamento de Sustentabilidade do CIESP – Diretoria Regional de Campinas.

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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