Conselhos de Administração que agregam valor

03 nov 2015

 

 Augustoconselho 1

A complexidade do mercado aumenta a cada dia e com isso as decisões estratégicas precisam ser discutidas, avaliadas, testadas para de fato agregar valor e contribuir para a longevidade da organização. Os presidentes do passado, em geral, tomavam tais decisões, sozinhos, embasados em resultados anteriores, sem a oportunidade de agregar visões complementares. O Conselho de Administração moderno, tem responsabilidades definidas em lei, e importância significativa, na condução da Estratégia da companhia. Não há mais espaço para o Conselho do cafezinho, ou de celebridades.

O Conselho de Administração é um órgão colegiado que deve:

1- Escolher o principal executivo da companhia.

2- Definir a remuneração das principais lideranças.

3- Conduzir os processos sucessórios desses lideres.

4- Desenhar e acompanhar a Estratégia.

5- Monitorar os resultados econômico financeiros.

6- Equilibrar as decisões de curto e longo prazo.

7- Monitorar a gestão de riscos,.

8- Gerir conflitos de interesse, entre outros itens que sejam cruciais para a companhia aumentar a sua competitividade e consequente longevidade.

O Conselho monitora e direciona, mas não executa.

Execução é responsabilidade da diretoria executiva.

Os Conselhos devem separar muito bem isso para não haver sobreposição de função, nem perda de identidade da linha de comando.

Para que não haja concentração de poder em prejuízo da supervisão adequada da gestão, deve ser evitado que o presidente do Conselho e o  Presidente da Companhia sejam a mesma pessoa.  

Na conjuntura moderna os Conselhos são ativos e entregam resultados.

O perfil dos conselheiros é preponderante para um desempenho adequado, desse que é o principal órgão de governança corporativa.

A complementariedade de experiências, a mescla de gerações diferentes, a visão ampla da organização e do mercado de atuação, é o que permite a agregação de valor.

Os conselheiros precisam estar dispostos a se dedicar à companhia como donos, sendo que a capacidade de realização dos mesmos, vale mais que os resultados já alcançados.

As empresas não precisam de conselheiros de sucesso, mas sim de conselheiros capazes de fazer as empresas aconselhadas terem sucesso.

Os Conselhos existem para garantir a perenidade da organização.

Para isso faz se necessário proteger e valorizar o patrimônio, bem como maximizar o retorno do investimento. O

O Conselho deve prevenir e administrar situações de conflito de interesse ou divergência de opiniões, visando sempre, o interesse da companhia. Nesse contexto, a atuação de membros independentes é fundamental.

Até bem pouco tempo, os Conselhos somente aprovavam as demonstrações financeiras, hoje eles desenvolvem em conjunto com a diretoria executiva a Estratégia da companhia.

Estão com os dias contados os Conselhos em que fundadores ou presidentes tomam decisões sozinhos, sem interesse de envolver outras pessoas nas principais decisões, interessados apenas em conselheiros que concordem com as suas falas e seus argumentos e que assinem, sem questionar, as atas que lhes serão apresentadas ao final de cada agradável encontro. Esse Conselho ultrapassado,  quase sempre composto por amigos,  ex-advogados e ex-altos funcionários cujo interesse maior é atender ao convite do amigo, ex-cliente, ex-empregador, e gozar de algum prestígio junto ao ambiente empresarial e financeiro. Alguns deles, até têm boa remuneração, mas muitos se contentam com remuneração simbólica. Conselhos amorfos, como esses, não entregam resultados e a pressão dos agentes envolvidos em governança e dos públicos de interesse (stakeholders) aponta na direção oposta. Na conjuntura atual esses Conselhos serão dizimados do mercado.

A empresa moderna demanda Conselhos atuantes e conselheiros competentes, com mandato curto (mesmo que renovável), perfis ricos, além de capacidade e coragem para fazer questionamentos.

O mercado já se acostumou a oferecer remuneração interessante,  como forma de atrair pessoas de nível elevado e capacidade de contribuir. Boa governança corporativa, exige liderança,  principalmente,  do presidente do Conselho.

Além de presidir as reuniões, cabe a ele assegurar a eficácia e o bom desempenho do Conselho e de cada um dos seus membros.

A Governança bem aplicada é ferramenta indispensável para aumentar a competitividade das organizações.

Augusto Carneiro
Diretor do Conselho de Presidentes e da TOP Capital
augusto@conselhodepresidentes.net

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Comentários

  1. Excelente Augusto, muito esclarecedor este seu artigo.
    Nós da Konos nos especializamos em valorar lideranças e talentos através da avaliação de sua capacidade de realização.
    Agora também podemos incluir os Conselheiros, pois como você citou, é importante que eles também sejam capazes de realizar.

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