A liderança, a mediocridade e o descontentamento

28 dez 2016

 

descontetamento

Podemos entender a mediocridade como sendo falta de qualidade, quer seja no plano das ideias, no comportamento ou nos resultados das ações humanas. A política é sem dúvida a área de maior profusão de exemplos, tanto sobre o prisma das nações, dos estados ou das cidades, que nos provocam sentimentos de espanto, risos, raiva e indignação.

Em nosso país estamos vivenciando uma fase conturbada no cenário politico, que muito além das mazelas da corrupção, nos apresenta fatos que demostram nosso atraso em diversos setores. Aqui faço uma síntese latu sensu de politica, nos âmbitos municipal, estadual e federal, nas diversas esferas de poder.

Os baixíssimos níveis de aprovação (credibilidade) dos políticos nos levam ao descontentamento, quando constatamos que nossa constituição já possui mais de 100 emendas, a irresponsabilidade com a aplicação dos impostos (recursos públicos), o atraso de nossa infraestrutura de mobilidade, a letargia do sistema judiciário, os baixos níveis de nosso sistema educacional, a deficiente estrutura de serviço à saúde, a perversa realidade sanitária, a caduquice de grande parte das atuais leis trabalhistas…, enfim, estes são alguns dos fatores que nos levam a ocupar a 81ª posição no ranking de competitividade (Fórum Econômico Mundial, entre 138 países).

Qual o resultado imediato desta avalanche de mediocridade? A generalização do descontentamento.

Certamente o descontentamento afeta a sociedade e tem reflexo imediato no ambiente das empresas.
Como este descontentamento contamina o ambiente empresarial?
É fácil observar o humor dos colaboradores com relação ao transporte público, trânsito, ensino, custo de vida, saúde, justiça… .

Neste contexto, os lideres passam a ter mais desafios: como mitigar os efeitos do descontentamento na cultura das organizações?
Como estimular o crescimento e desenvolvimento dos negócios com os crescentes níveis de descontentamento dos colaboradores, parceiros de negócios e consumidores
?

O descontentamento tem raiz na falta de confiança, que por sua vez tem lastro na falta de lealdade.

A mudança acelerada no modo como fazemos negócios, a hiperconectividade das pessoas nas redes sociais, a racionalização das estruturas organizacionais, a frieza dos negócios on-line, a ampliação do tratamento de gêneros e o aumento da diversidade religiosa, tentem a contribuir para que a longevidade nos postos de trabalho se torne exceção.

A era atual se distingue das anteriores pelo ritmo acelerado de mudanças. Neste contexto, as culturas organizacionais são fortemente impactadas e podem até mesmo restringir a sobrevivência das empresas. Nos EUA a expectativa de vida de grandes empresas foi reduzida de 70 para 15 anos nas duas últimas décadas e a previsão é que em 2027 aproximadamente 75% das empresas atualmente no ranking S&P 500, cederão seus lugares a novas empresas. No Brasil, somente 23,4% das 500 maiores companhias em operação no Brasil em 1973 conseguiram se manter no mesmo ranking em 2005 (este indicador, apesar de desatualizado já demonstra esta tendência há uma década).

Os lideres precisam cuidar para que a cultura organizacional não seja desprezada ou contaminada, e sim, adequada ao momento atual, tratando seus colaboradores e parceiros de negócios com visão de longo prazo, se desejarem a sustentabilidade dos negócios. Aqui vão algumas dicas relevantes:

  • Dar transparência aos resultados para os stakeholders e dividir os bônus para que consigam engajar seus times para obter resultados, agregar valor para a sociedade e melhorar a qualidade de vida no planeta;
  • Conhecer detalhes tais como o grau de esforço dos colaboradores para estarem disponíveis no ambiente da empresa (ex: quantas horas em média são gastas no trajeto residência-empresa, objetivos de melhoria de escolaridade…);
  • Incentivar a colaboração no ambiente de trabalho para a redução dos níveis de descontentamento e também para o engajamento das equipes na obtenção dos resultados pretendidos;
  • Entender as capacidades e deficiências de seus fornecedores e através de estratégias colaborativas melhorar a eficiência das cadeias de suprimento nas quais atua, aumentando o grau de satisfação de seus parceiros de negócio (objetivar a preferência deles);
  • Desenvolver estratégias de relacionamento com a comunidade em que a empresa está inserida, de modo demonstrar de modo efetivo a sua inserção local;

Acrescente-se a isto que os comportamentos das gerações X, Y e agora a Z, demonstram o crescimento do empoderamento do individuo que, se não for bem entendido e canalizado para o empowerment das equipes na busca de melhores resultados, servirá de combustível para o aumento do descontentamento e consequentemente para a redução da energia criativa das equipes.

Grandes líderes realizam grandes obras, deixam legados relevantes para a sociedade, atraem outros grandes lideres e atraem pessoas para obtenção de melhores resultados.

Grandes líderes se sentem responsáveis por tudo e todos que os mantem ativos.

Grandes  líderes conseguem transformar a mediocridade e o descontentamento em oportunidades para fazer a diferença.

Nyssio Ferreira Luz
Presidente do IBRALOG
Instituto Brasileiro de Logística
www.ibralog.org.br

 

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Comentários

  1. Ótimo artigo Nyssio, sua experiência e conhecimento sempre nos brindam com agregação de valor.

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