Negócio? Não, competência!

Não faz muito tempo aprendíamos, talvez como um dos primeiros princípios de marketing, que era necessária a definição de qual seria o seu negócio, como base para se iniciar um planejamento. Toda e qualquer chance que o mercado viesse a nos apresentar deveria ser analisada sobre o prisma de estar coerente com o negócio da empresa.

Se estivesse dentro seria oportunidade a aproveitar, caso contrário seria oportunismo, algo que tirava o foco e poderia acabar por destorcer os  objetivos da empresa e por abaixo o que estava planejado. Olhávamos para o passado (experiência), para definir o futuro e assim as empresas se concentravam apenas naquilo que consideravam seu core business, buscando mercados específicos, jamais desviando sua atenção daquele objetivo. O que surgisse, mesmo que pudesse ser atendido com pequenos ajustes em sua estrutura, ou sua equipe deveria ser ignorado pelo bem do negócio.

Claro que sempre houve empresas que topassem o que aparecesse (desde que desse lucro), mas essas eram consideradas como desfocadas e raramente conseguiam construir uma reputação sobre a qual pudessem crescer e se solidificar.

Com a velocidade das mudanças e a quantidade de novas atividades e novos modelos de atuação (que agora surgem quase todos os dias), penso que seja preciso também rever a forma de definir em quais negócios nossas empresas devam se meter. Não acho que devamos passar a ser quaisqueristas (com o perdão do neologismo), topando qualquer coisa, mas temos que estar preparados para pelo menos duas possíveis situações:

  • Há novas demandas, que simplesmente não existiam antes, mas que agora fazem parte do rol do que nossos clientes precisam e para as quais buscam fornecedores. Se não as atendermos, alguém o fará e o cliente baterá asas, mesmo que sua relação com ele seja perfeita;
  • O permanente e cada vez mais presente risco de que as demandas tradicionais, das quais nossas empresas sempre sobreviveram, deixem de existir, suplantadas por uma forma sucedânea de fazer (haja visto o que os aplicativos estão fazendo com o setor de serviços), ou pela simples extinção de sua necessidade.

Em minha opinião agora, ao invés de definir em qual negócio atuamos baseados na experiência e ferramentas que possuímos (físicas ou não), devemos considerar a competência como fator fundamental, entendendo aquilo em que somos bons e, com nossa atuação, podemos fazer diferença para nossos clientes. Não importa mais o que sabemos fazer, mas o que podemos aprender rapidamente a fazer, aproveitando nossas competências, os processos que temos desenvolvidos, nossa forma de gerir e nossos conhecimentos sobre o que cerca as atividades a serem desenvolvidas.

Não vou aqui me ater a exemplos, mas todos conhecemos os dois lados, empresas que faliram por se manter no modelo anterior e outras que se reinventaram, com o olhar voltado para o futuro. Penso que a empresa que ainda se ativer ao passado e ficar presa exclusivamente ao seu negócio poderá ter vida muito curta, pois com a nova velocidade do mundo o amanhã chega muito rapidamente.

Sidney Porto
Gerencial Brasil
Presidente do Conselho Consultivo

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Este post tem um comentário

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    Como sempre, o competentíssimo Sidney aborda a realidade com os olhos de sua elevada experiência e nos brinda com seu brilhantismo intelectual. Parabéns por um texto tão leve, que nos faz aprofundar na análise de nossa realidade.

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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