Princípios, Valores, Normas e Regras Organizacionais

I – PRINCÍPIOS E VALORES
É comum, nas organizações, falar-se em “princípios e valores” como declarações que explicitam os compromissos assumidos pela instituição nas várias perspectivas de sua atuação, estando diretamente relacionados à missão. Seus significados devem ser partilhados por todos os que atuam na empresa e revelam o preferível ou desejável. 


Os princípios e os valores denotam, também, as razões da existência da empresa, as inspirações fundacionais e os porquês.

Entretanto, corriqueiramente se fala em “princípios e valores” e se enumera um elenco de atributos, geralmente louváveis e justificáveis, mas não se elucida quais são “princípios” e quais são “valores”. Ora, se nos referimos a “uns e outros”, é de se esperar que “uns” não sejam a mesma coisa que “outros”.

Costa (2007) registra que “princípios” são características perenes da organização, que, consequentemente, ela não se dispõe a mudar; são as crenças básicas, o credo da instituição, as motivações fundacionais, enfim, aquilo em que se acredita como justificativa da sua existência e que, se forem mudados, se perderá a razão de ser da organização; registra, ainda, que “valores” são características da organização que constituem virtudes, qualidades e méritos considerados importantes para o cumprimento da missão e para perenizar os princípios. Os valores devem ser preservados e incentivados, mas podem ser classificados numa escala entre extremos, como, por exemplo, centrais e periféricos. 

Daí, decorre que “princípios” são mais abrangentes do que “valores”; estes últimos decorrem daqueles e constituem uma espécie de detalhamento, de melhor compreensão da aplicação deles.

Dessa forma, “valorizar a vida em todas as suas dimensões” será um princípio, e “promover a sustentabilidade planetária” será um valor. Esse exemplo de princípio e valor nos remete, também, à constatação da perenidade do princípio e à relatividade do valor. Com efeito, “sustentabilidade” é um valor que começou como periférico há alguns anos, e hoje é valor central em quase todos os planos estratégicos das instituições. Por outro lado, há valores que já foram centrais e hoje voltaram a ser periféricos, com tendência de até desaparecer da escala.

Está na hora de as organizações explicitarem melhor quais são os seus princípios e quais são os seus valores, diferenciando-os. Os clientes e os colaboradores, com certeza, vão agradecer.


II – NORMAS E REGRAS


Assim como os valores decorrem dos princípios, as normas e as regras que regulam a vida, a convivência, os fluxos e os processos, devem ter a ver com aqueles e decorrer deles.


La Taille (2006) escreve que a regra corresponde à formulação “ao pé da letra” e que o princípio corresponde a seu “espírito”. Quem se limita ao conhecimento das regras (…) não somente fica, na prática, sem saber como agir em inúmeras situações (porque não há regras explicitadas para todas) como corre o risco de ser dogmático e injusto, acrescentando que em compensação, quem conhece a missão, os princípios e os valores pode saber guiar-se em diversas situações e decidir como agir.


Assim, se o conteúdo de uma norma ou regra não encontrar respaldo, justificativa, num valor preconizado pela organização, ou a regra não está conforme, ou falta a explicitação do princípio ou valor que lhe corresponde. 

Há que se pontuar, também, que elas se referem a todos os processos que ocorrem na organização, seja na área estratégica, seja na área operacional. Todos têm de ser disciplinados no cumprimento de suas atribuições/obrigações, desde o ocupante da função mais simples, até o da função mais complexa. 

A norma, você segue; a regra, você cumpre. A regra é imposta; a norma é estabelecida. Assim, o enunciado: “O uniforme faz parte da identidade da organização” é uma norma; já uma regra decorrente, seria: “O uso do uniforme é obrigatório”. Ou seja, a regra decorre da norma. 

Lembrando sempre que somos espelhos para os públicos interno e externo e, como espelhos, temos de refletir imagens claras, bem nítidas de testemunho de moral e ética, sendo bons exemplos, atendendo prazos e atribuições.

Para que se tenha disciplina e ordem em todos os segmentos, departamentos e setores, há que se ter normas e regras que as regulem, de forma que o ambiente organizacional propicie condições para o cumprimento adequado da Missão, para o alcance das Metas e para a longevidade saudável da Instituição.

Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor na área de “Gestão de escolas de Educação Básica”

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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