Relacionamento Interpessoal

Uma das tarefas mais difíceis dos seres humanos é conseguir perpetuar um relacionamento afetuoso e positivo com outras pessoas, principalmente nas organizações.

A razão é simples: quando mesclamos os problemas com as questões pessoais, os egos, as vaidades, os interesses individuais e o amor próprio ficam tão intensificados que o relacionamento interpessoal se torna uma disputa de cabo de guerra entre as pessoas.

Todos ficam inflexíveis e o resultado do que poderia ser um acordo vantajoso para as partes, caminha para um impasse.

Temos o receio e uma grande dúvida entre alternar:

• A proposta de pressionar demais o outro para obter um resultado de imediato que nos seja favorável, mas, com isso, ferir o relacionamento com prejuízos futuro;

• E a possibilidade de se vincular demais no relacionamento e acabar por ceder por meio de concessões desnecessárias que nos farão arrepender depois.

Embora natural, essa dúvida é traiçoeira, pois deixa a pessoa desprotegida contra as manipulações da outra parte.

Mas, jamais esqueça que você NÃO pode curar sentimentos feridos com concessões significativas, pois, uma vez que um dos lados descobre que pode obter concessões, favores e benefícios fazendo do relacionamento interpessoal um refém, porque agiria diferentemente?

Como agir, então?

Lembre-se que um relacionamento forte cria confiança, controla e respeita a emoção (própria e a do outro), permitindo que as partes troquem informações mais livremente.

Muitas pessoas poderão se surpreender ao tomarem conhecimento de que as dificuldades de relacionamento interpessoal que experimentamos são quase sempre os reflexos de nossos próprios conflitos internos – os problemas internos que não resolvemos ou que, até mesmo, desconhecemos. Por exemplo, ressentimo-nos quando os outros tiram vantagem de nós, mas, na verdade, somos nós que permitimos que se aproveitem.

Um dos aspectos vitais para ser bem sucedido nos relacionamentos é conseguir, então, desvincular os problemas das questões pessoaisou seja, focar na solução dos problemas (que representam a questão crucial para todos) utilizando “garras de aço” mas ter obstinação para conduzir o tratamento e relacionamento com as pessoas utilizando “luvas de pelica”.

Garras de aço para solucionar problemas e luvas de pelica para relacionar com as pessoas.

Desvincular os problemas das questões pessoais compreende ser capaz de focalizar uns aos outros não como adversários e inimigos, mas como parceiros e aliados, ou seja, como possuidores de pedaços complementares da solução dos problemas comuns.

Yasser Arafat (Líder palestino) e Shimon Peres (Premier israelense) nutriam uma profunda rejeição mútua (ressentimentos do passado, orgulho ferido, crenças religiosas, valores, intolerância e ódio).

Mas, se eles permitissem que essas questões pessoais estivessem latentes durante as negociações pela paz do Oriente, certamente nenhum acordo seria alcançado. Como resultado desse impasse, a guerra seria o caminho natural adotado por esses povos, o que transformaria toda a região numa permanente cascata de terror.

Portanto, evite mesclar as questões ligadas aos problemas (que envolvem aspectos como números, dados, datas, percentuais, valores, termos, condições, interesses, opções, resultados, legitimidade e acordos) com as questões vinculadas ao relacionamento (que contemplam aspectos como comunicação adequada, construção da relação de confiança e controle das emoções e sentimentos – mesmo que o outro não ofereça reciprocidade).

E, não se esqueça que, para relacionar plenamente com o outro você precisa, primeiro, relacionar-se consigo mesmo.

Vamos, agora, indicar algumas ações que podem contribuir para a consolidação de um relacionamento saudável e consistente entre as pessoas:

1ª) Coloque a culpa nos métodos utilizados, não nas pessoas

Você conseguirá mais cooperação do outro se ele não estiver preocupado com críticas.

Portanto, seu objetivo nos relacionamentos não é culpar alguém pelos problemas, mas aperfeiçoar o trabalho em conjunto.

Em vez de olhar as virtudes ou defeitos pessoais, verifique se os métodos utilizados são os mais eficientes dentre os disponíveis. Troque o “quem” por o “que”.

Não importa se o outro é bom ou mau “lenhador”; o que importa mesmo é se ele está utilizando machado quando o serroteseria o mais indicado.

2ª) Admita que o outro possa ter motivos para seu comportamento

Muitas vezes, a outra pessoa até concorda com você, mas não pode aceitar sua proposta porque deve satisfação a alguém (o chefe, o sócio, a esposa, os filhos, os amigos, etc.), e sabe que esse outro alguém pode não concordar e está reagindo racionalmente a um interesse primordial dele.

Assim, é importante reconhecer e respeitar as razões e os motivos da outra parte e não imaginar que as questões dela são unicamente pessoais (e contra você).

3ª) Aceite uma parcela de responsabilidade também

Por definição, interação é algo que se cria em conjunto.

Ninguém pode ser inteiramente responsável pelos problemas que surgirem nessa interação.

Mas, da mesma forma, nenhuma das partes está inteiramente isenta de responsabilidade.

Assegure que ambas as partes cheguem a um acordo mutuamente satisfatório.

4ª) Relacione-se de maneira colaborativa

Trabalhar sem um objetivo é punição. Tente “inocular” na mente do outro o benefício de alcançar o prêmio para ambos.

Há uma enorme diferença entre dizer aos outros o que eles precisam fazer e convidá-los a participar.

As pessoas terão mais condições de colaborar se sentirem que têm alguma vantagem nisso.

Sucesso para vocês. Forte abraço!

Carlos Pessoa

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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