Responsabilidade social, ou simplesmente marketing?

20 out 2015

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Está na moda. Todos os dias vemos empresas, dos mais diversos segmentos econômicos (quase todas de grande porte) bradando aos 4 ventos as suas investidas em responsabilidade social, portando-se como verdadeiras green companies (não sei se esse termo já existe, mas vamos com ele). Divulgam os projetos que apoiam, a quantidade de pessoas que são impactadas e muito mais,  sempre com números grandiosos e dizendo maravilhas a respeito de si próprias.

Ao meu ver essa história pode, dependendo do caso, ser apenas uma estória e para explicar a minha desconfiança voltarei à década de 40, quando meu sogro, então funcionário do Banco do Brasil no Piauí, atendia a um agricultor postulante a empréstimo. Contava-me esse mestre, que embora com pouco banco de escola, muito teve a ensinar:

“Conversei com o moço e vi que, embora ele tivesse bem mais que 10 filhos, morava em uma casa sem banheiro. Disse então que eu iria aprovar o empréstimo que ele havia solicitado, mas que não seria exatamente no valor pedido e sim um pouco a mais. Com essa diferença ele deveria construir um banheiro para sua família e eu iria até lá para conhecer o banheiro.”.

Trazendo de volta para as nossas green companies atuais, penso que seja necessário fazer alguma reflexão para entender melhor.

Nos últimos tempos, pressionadas pelo eterno mantra de se fazer mais com menos, a maior parte das grandes empresas substituiu as antigas áreas de compras por outras denominadas procurement.
Mais que uma simples troca de nomes, essa mudança trouxe para os responsáveis por contratar fornecedores, metas de descontos sobre o que compram. Não é raro (e vivo isso muitas vezes em minha empresa) nos depararmos com clientes muito satisfeitos com o que recebem, mas que não conseguem convencer a área de procurement a dar-lhes a preferência, salvo se tiverem os preços mais baixos.
Algo como se fossem duas empresas, uma que compra e outra que recebe o que é comprado, com objetivos distintos.

Hoje quem compra sabe muito bem o quanto custa o que está comprando, o que é muito bom, até mesmo para que o equilíbrio da transação seja mantido. Só que, mesmo sabendo disso, muitas áreas de procurement, obrigam seus fornecedores a abrir mão de grande parte (se não  toda, ou até mesmo mais que toda) a sua margem, ou perderão a venda.

É fácil concluir que as empresas que tiram de seus fornecedores os lucros, garantem com isso que nada poderá ser feito por eles, que venha a beneficiar suas equipes, a sociedade que o cerca, seus acionistas, enfim, a qualquer parte de seu holograma de mercado. E, pior ainda, forçando fornecedores a trabalhar abaixo de seus custos, criam o risco de que nem mesmo o básico, como pagamento de salários, benefícios e outras obrigações legais sejam cumpridos.

Sidney Porto
Presidente do Conselho
Gerencial Brasil
www.gerencialbrasil.com.br

 

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