Você, líder, sabe se colocar no lugar certo?

18 abr 2016

 

lider

 

Nada traz mais resultados para uma empresa do que equipes de trabalho competentes e motivadas. Nada contribui mais para isso do que líderes que sabem se colocar no lugar certo. Mas, perdidos em tarefas e metas de curto prazo, poucos tem essa clareza de visão. Qual é o seu caso, leitor?

Há diversos aspectos de um negócio – tais como bons contratos, bons produtos ou falta de concorrência, para ficarmos em apenas três exemplos – que, frutos do planejamento ou do acaso, podem trazer sozinhos uma grande dose de sucesso. Mas, não nos enganemos: a perenidade da operação e o êxito no longo prazo dependem da organização e qualidade dos colaboradores.

Empresas são feitas de e por pessoas, assim como os produtos e serviços.

Vence a maratona, portanto, quem tem o melhor time.

Então, como se forma um time vencedor? Aqui, temos farta evidência futebolística: o esporte nacional já nos provou inúmeras vezes que a melhor equipe não é necessariamente aquela que tem mais craques. Os times campeões sempre têm bons escretes, o que é essencial, mas o que mais os diferencia são o acerto na escalação e o entrosamento. Isso exige um técnico atualizado com as melhores práticas, que conheça bem os seus comandados e tenha o respeito de cada um.

Há uma diferença entre o técnico de futebol e o líder empresarial que parece sutil, mas não é: enquanto o primeiro assiste ao jogo do banco de reservas, o segundo entra em campo também. Ou seja, o líder empresarial é técnico e jogador ao mesmo tempo. Daí que, para fazer bem a sua função de técnico, tem que se conhecer como jogador e se escalar na posição correta. Do contrário, não atinge nível de excelência em nenhuma das funções.

Agora, voltando à nossa reflexão:

Você, líder empresarial, sabe se colocar no lugar certo?

Sabe quais são seus maiores talentos e defeitos?

Conhece as pessoas da sua equipe que fazem determinadas atividades com mais ou menos eficiência do que você?

Tem grandeza para reconhecer isso, delegar as tarefas por competência e dar os méritos a quem merece?

Não lançaríamos essas perguntas se não soubéssemos que a maior parte dos líderes tem uma pobre visão de si mesmo e, às vezes, até do seu próprio time.
Num nível menos problemático (luz amarela!), não sabem como seus liderados o enxergam e não buscam se analisar.
Num nível crítico (luz vermelha!), estão alienados por ego ou imaturidade, achando que suas virtudes técnicas ou a força do seu cargo se sobrepõem às necessidades de conhecimento, organização e entrosamento da sua equipe.

Para nós que lidamos diariamente com investimentos em empresas, não há nada mais angustiante do que ver um negócio estagnado ou passando por dificuldades simplesmente porque seu principal líder concentra poderes em áreas que pouco conhece e não sabe identificar as capacidades dos seus subordinados. Isso faz com que o time produza pouco, perca a confiança, se sinta desmotivado.

Com o passar do tempo, a empresa perde competitividade, para de crescer e desperdiça volumes enormes de energia apenas resolvendo problemas internos. E esse mesmo líder fica procurando o culpado na concorrência, nos clientes, nos fornecedores, mas nunca onde ele verdadeiramente está: em si mesmo.

Infelizmente, esse cenário é muito comum, especialmente em empresas familiares, que ainda não passaram por um processo de profissionalismo na gestão. É muito difícil para a maioria dos fundadores de um negócio reconhecer e dizer para si mesmo, por exemplo: “Fiz um bom trabalho até aqui, mas agora a operação ganhou muita complexidade e eu não entendo tanto assim de produção, marketing e finanças para continuar tomando as decisões dessas áreas. Criarei novos líderes para cuidar desses assuntos e vou me concentrar no relacionamento com clientes, onde sou realmente bom”.

Um raciocínio como esse, que expõe um diagnóstico claro de um momento de inflexão pelo qual todos os negócios em algum momento vão passar, exige duas virtudes do líder: humildade e autoconhecimento. Humildade para reconhecer para si e para terceiros que tem falhas – como qualquer ser humano, diga-se – e autoconhecimento para saber identificar quais são essas falhas e onde estão suas maiores competências.

Assim, faço o convite a você, líder empresarial e leitor desse breve texto: gaste um minuto do seu tempo para refletir se humildade e autoconhecimento fazem parte das suas prioridades pessoais. Caso não sejam… Cuidado!
Seus negócios serão prejudicados por isso, cedo ou tarde.

 

Rafael Couto Guimarães
Sócio da RBG Consulting e da Biz Invest
Especialista em Fusões e Aquisições
rafael@rbgconsulting.com.br

 

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Comentários

  1. Parabéns Rafael, reflexão límpida e inteligente.

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