A culpa é do Murphy

lei de murphy

“Se encontrar uma pessoa com uma lança no peito, primeiro socorra essa pessoa  para depois procurar quem atirou a lança”. Li sobre isso há algum tempo, mas não me lembro se a frase é do Dalai Lama ou Gandhi. Como se trata de dois ícones da paz e sem vaidade, importa então mais a profundidade da mensagem do que sua autoria.

Infelizmente, existe grande pressa em atribuir culpa em casos de acidentes ou incidentes. Isso leva pessoas e parte da mídia a ressaltar mais supostos responsáveis e os castigos a eles do que as ações imediatas de solução dos impactos. Se há culpa, que haja punições, mas antes o esforço deve ser canalizado para o socorro às vítimas, sejam elas humanas ou quaisquer partes integrantes do todo ambiental.

Quedas de aviões, estouros de represas e desabamentos de viadutos nos trazem grande tristeza. Apesar da intenção de previdência, nem sempre se consegue antevê-los. Aliás, nunca acreditamos que possam acontecer justamente conosco. E por não acreditar, acabamos ignorando Murphy e sua lei que é implacável: “se alguma coisa pode dar errado, dará…”. Por isso, planos de contingência são imperativos.

Quem está envolvido direta ou indiretamente em um acidente, o melhor a fazer é ser protagonista da comunicação dos fatos e providências. É uma regra básica da comunicação que ajuda a despertar a boa vontade da opinião pública. No caso de empresas, essa é uma atribuição do dirigente maior- e indelegável. Depois das providências, cabe a ele assumir a culpa se ela existir e, existindo ou não, arcar com as responsabilidades.

Vale lembrar o saudoso comandante Rolim Amaro. Em 1993, quando um FOKER 100 da TAM caiu sobre o bairro do Jabaquara em São Paulo, poucas horas depois lá estava ele sobre os escombros, solidarizando-se com as famílias de vítimas e pessoas que tiveram suas casas destruídas. Resultado: a população e a mídia entenderam que a TAM e o comandante também eram vítimas do desastre. Foram muitos os voluntários e pessoas que incluíram Rolim no grupo dos que precisavam ser consolados. Naturalmente, sério como era, arcou com as responsabilidades atribuídas à companhia.

Se não era possível ter um plano de contingência para a queda de um avião, Rolim tinha, com certeza, um plano de comunicação para situações adversas e um código de conduta para esses casos. A consequência foi um mutirão “para retirar a lança do peito da vítima” e nem foi preciso procurar quem atirou, pois ficou evidente que a culpa era do Murphy.

Júlio Miranda
Diretor do Conselho de Presidentes e da Miranda Consulting
julio@conselhodepresidentes.net

 

 

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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