Comitê de Conduta Ética

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Antes de falar sobre a escolha dos membros do Comitê de Conduta Ética propriamente, é importante destacar o que se espera deste Comitê. Na maioria dos casos que conheço ele tem papel bem reativo, analisando casos e decidindo o que fazer com os envolvidos em situações de condutas e comportamentos non compliance. Se esta é a principal atribuição deste Comitê, então ele está empobrecido e não está desenvolvendo a plenitude de suas potencialidades.

Nos meus artigos tenho tratado o Pilar da Correção sob duas perspectivas distintas e complementares: uma profilática, olhando para o futuro, e outra, disciplinar, tratando de desvios ocorridos. Na minha visão este Comitê deve atuar não apenas na frente reativa, a da aplicação da disciplina, mas também na proativa. Há um fértil campo a ser explorado na ponta da profilaxia, da prevenção, e este Comitê deve trabalhar fortemente nessa frente.

Sendo preferencialmente um Comitê matricial, composto por pessoas de diversas áreas da organização, este grupo terá a capilaridade para contagiar toda a organização, inspirando pessoas pelo exemplo,  treinando, promovendo virtudes, incentivando o engajamento de todos nas boas práticas, sendo um discipulador dos valores e princípios da organização. À medida que a atuação profilática do Comitê avançar, ele será cada vez menos demandado em casos de non compliance, e todos sairão ganhando.

Independentemente do foco deste Comitê, a escolha dos seus membros será um grande desafio. Não se trata simplesmente de definir currículo ou posição hierárquica dentro da organização e, então, nomear os integrantes, mas de se considerar alguns aspectos muito significativos para o processo de seleção. Citarei três, de forma bem breve, para estimular a imaginação e aguçar a percepção de quão criteriosa deve ser essa escolha.

O primeiro é a coerência e adesão dos candidatos aos valores e princípios da organização. Se a empresa prega, clara e objetivamente, que um de seus valores é transparência, não faria o menor sentido pensar em incluir no Comitê, aquele coordenador que não abre informações de sua área, dificulta o trabalho da auditoria e que julga seu próprio trabalho irretocável (mesmo que isso seja um fato!) não admitindo qualquer questionamento. Seria uma contradição irreconciliável entre o que se prega e o que se faz.

Em segundo lugar, a empatia. Imaginem agora, numa organização que valoriza o trabalho em equipe, escolher aquele colega, muito competente na sua função, mas incapaz de se colocar no lugar do outro, de demonstrar um mínimo de empatia, de se esforçar para entender uma situação mais delicada, que sempre parte para criticar e ridicularizar a tudo e a todos, fazendo parte do Comitê de Conduta. Minha intuição diz que sua participação neste grupo seria um grande desastre.

Finalmente, a discrição. Pensemos numa pessoa de ótimo relacionamento, dedicada e comprometida com a organização, mas que não consegue manter uma informação em segredo, sem compartilhar com seus melhores e mais confiáveis amigos, sendo conhecido por todos como alguém que tenha esse comportamento. Como incluir uma pessoa com esta característica num grupo que será responsável por processos sigilosos de apuração de desvios de conduta, ao longo dos quais um vazamento de informação pode por tudo a perder?

Eis o desafio: além de algumas competências imprescindíveis, há que se considerar mais profundamente o perfil comportamental de cada membro. Esta escolha terá reflexos, não apenas na credibilidade do Comitê, mas na própria efetividade do programa de Compliance. Portanto, invista tempo, defina critérios rigorosos, ouça o “departamento de gente” e não despreze a intuição, para que as escolhas repousem sobre o que houver de melhor dentro da sua organização.

Sucesso!

Jedaias Jorge Salum

Diretor Regional at Griscom – Gestão de Riscos e Compliance

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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