Como e por que líderes narcisistas podem destruir suas próprias empresas na pandemia

Egoístas, eles criam uma cultura de interesse próprio, substituindo objetivos compartilhados, calando vozes divergentes e recompensando os elogios e a servidão.

Não, não acontece apenas na política. A personalização da liderança está em todos os segmentos. No business as usual, não é diferente. Pelo contrário, o narciso (ou o “auto admirador” na mitologia grega – um herói do território de Téspias, Beócia, famoso por sua beleza e orgulho), aquele que “acha feio tudo que não é espelho”, segundo Caetano Veloso, está indelevelmente ligado à liderança desde sempre.

Casos de líderes personalistas que têm se mostrado alheios nesta pandemia às dores e demandas de seus próprios liderados não são raros.
Os exemplos de varejistas discutindo os efeitos da Hidroxicloroquina no combate à covid-19 ou o “lockdown vertical”, apenas para citar dois temas sobre os quais eles não detêm o menor conhecimento, se reproduzem como o vírus. Ego trip pura.

Narcisistas tendem não só a se auto elogiar, mas principalmente jamais acreditar que estão errados. Pior: confiar que suas soluções devem prevalecer sobre as demais. Não que uma dose de autoconfiança não seja necessária – times gostam de seguir quem é seguro, sabe do que fala, é carismático e gera resultados. Esse é o caldo que produz um atributo basal para qualquer relação chamado “confiança”.

O que seria confiar, senão crer nas palavras e nas atitudes do outro?

O veneno está na dose: autoconfiança em excesso descamba em uma vontade maníaca de puxar o interlocutor para baixo tão-somente para sentir-se bem consigo. Pesquisas recentes da Universidade de Stanford acerca de 150 estudos indicam que líderes excessivamente narcísicos podem destruir empresas e negócios. Primeiro porque são absolutamente sedutores e, em tempos pandêmicos, arrebatam com facilidade corações e mentes em vulnerabilidade. Depois, porque criam uma cultura de interesse próprio, substituindo qualquer objetivo compartilhado, calando vozes divergentes e recompensando os elogios e a servidão.
Distorcem regras e manipulam dados.

O estudo de Stanford reforça que “a diferenciação é o que motiva os narcisistas”. Questiona se estes líderes estão realmente dispostos a alcançar algum objetivo maior, se de fato querem melhorar a empresa ou o país em que vivem ou realizar objetivos impensados, “como colonizar Marte”. Ou se é tudo sobre o seu próprio engrandecimento. Líderes egoístas e mesquinhos estão no DNA do mundo corporativo. Me pergunto sempre se sobreviverão à Sociedade 5.0, cujo pilares centrais são inclusão, sustentabilidade e qualidade de vida.

Não espero.

Seu egoísmo e falta de integridade não terão vez na década que começa em 2021. Porque pessoas e empresas carecem de mudanças duradouras, de culturas sólidas, ágeis e colaborativas. Que trocam o “lucro” de curto prazo pela “riqueza” no longo. Neste contexto, o líder desempenhará o essencial papel de maestro.

“Grande parte do problema dos líderes narcisistas é o desejo de se sentirem admirados”, descrevem os pesquisadores de Stanford.

“Se essa admiração estiver faltando alto, poderá resultar em níveis extremos de ressentimento, que se manifestam em atos de agressão, petulância e abusos”.

Proteja-se.

Marc Tawil – Empreendedor e estrategista de comunicação

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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