Como será o futuro do trabalho?

Muitas empresas acabarão por ir à falência, e os governos podem ter a tendência para intervir mais no mercado de trabalho, protegendo muito quem tem emprego e assim tornando o mercado laboral mais rígido.

A única certeza que temos é a incerteza sobre como a saúde pública e tudo o resto (economia, sociedade,…) irão evoluir no curto-médio prazo. Há vários cenários que se podem traçar, como os apresentados pelos professores da Harvard Business School Joseph Fuller e William Kerr.

Segundo eles, poderemos ter um cenário de “crescimento touchless”, em que a mudança dos modelos de negócio se baseia essencialmente na redução do contacto humano, havendo uma alteração global dos padrões da procura e das expectativas dos consumidores, levando a uma gradual recuperação do emprego (embora menos benéfica para os trabalhadores da classe média do setor dos serviços), e à continuação da tendência da globalização (brevemente interrompida com a crise pandémica).

Há um cenário, mais negativo, de “contínua disrupção”, em que a evolução da procura acaba por ir sendo impactada por crises de saúde pública e eventualmente também políticas, durante um largo período, gerando uma crise do lado da procura de longo prazo. Muitas empresas acabarão por ir à falência, e os governos podem ter a tendência para intervir mais no mercado de trabalho, protegendo muito quem tem emprego e assim tornando o mercado laboral mais rígido. Este contexto deve levar a um aumento do protecionismo, prejudicando obviamente a globalização. As empresas procurarão talentos mais locais, tentando, na medida do possível, manter os seus colaboradores (que já conhecem e estão integrados na cultura da organização), enquanto lhes dão formação para mudar/melhorar as suas competências. Haverá também um aumento da flexibilidade no trabalho.

Um terceiro cenário, mais disruptivo, de “novo paradigma”, caracteriza-se por uma forte inovação nas práticas de trabalho, em que as credenciais/diplomas de áreas tecnológicas se tornam mais relevantes e em que haverá um maior leque de relações de trabalho (por exemplo, emprego sazonal, para além do já existente part-time). Isto levará a alterações no planeamento da força de trabalho, nos processos de trabalho e na gestão de talento.

Uma certeza que temos é que as decisões a tomar no futuro serão complexas, sendo que será muito importante assegurar que quem as vier a tomar tem uma visão multidisciplinar da realidade, mas também uma visão prática e aplicada das ideias a concretizar. Temos pessoas com esse perfil para estar nessas posições de relevo? 

Pedro Fontes Falcão

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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