Crises petrificam os desavisados

 gorgonas As górgonas, ensina a mitologia grega, eram mulheres cujos cabelos davam lugar a serpentes. Seus corpos, embora insinuassem sedução, tinham escamas em lugar da pele, braços de metal e dentes grandes e pontiagudos. Medusa era a mais conhecida das três górgonas, disputando as atenções com Euríale e Esteno.                                     
Todas as três, poderosas, transformavam em pedra as pessoas que se atreviam a olhar diretamente para seus olhos. Mas não eram infalíveis. Conta a mitologia que Perseu, com a ajuda da Deusa Atena, cortou a cabeça de Medusa, de cujo corpo decapitado nasceu o cavalo alado Pégaso, símbolo da imortalidade. Pégaso transformou-se assim numa das mais emblemáticas figuras da mitologia grega.
Da mitologia ao mundo do conhecimento científico, crises parecem górgonas. Aos olhos de alguns chegam a ser uma sedutora Medusa, de beleza estonteante apesar das cobras em sua cabeça. Essas Medusas, que frequentam periodicamente os ambientes de negócios, provocam os desavisados, na expectativa de que flertem seus olhos e caiam petrificados. Quanto mais se fala dela, vaidosa, mais forte e sedutora a Medusa fica. E, naturalmente, mais vítimas se deixam abater diante dela.                      pegasus
Mas o mundo dos negócios também produz os seus Perseus.  Sam Walton, fundador da Walmart, maior rede varejista do mundo é um exemplo de Perseu. Em 2008, no auge da crise americana quando perguntado a respeito, Sam Walton cunhou a frase que ficou célebre: “Crise? Ouvi falar, mas decidi não participar”.

Salim Mattar, presidente do Conselho de Administração da Localiza,  é um exemplo de Perseu brasileiro. O empresário conta, com entusiasmo, os quatro grandes saltos que a maior locadora de veículos do Brasil e uma das maiores do mundo deu em sua história. Todos os saltos ocorreram exatamente em momentos de grandes dificuldades enfrentadas pelo país, desde a crise do petróleo às diversas crises econômicas que produziram questionáveis pacotes de soluções.

E justamente nesse momento em que o país enfrenta uma de suas maiores crises da história, a Localiza, sob o comando de novo Perseu- Eugênio Mattar- dá mais um salto. Em dezembro de 2016, adquiriu as operações da Hertz no Brasil por R$ 337 milhões. Soma-se a isso a construção de sua sede própria, um imponente e moderno edifício em Belo Horizonte.

Apenas para citar mais um Perseu, o colombiano David Legher, presidente da Avon no Brasil,  conseguiu fazer a empresa aumentar suas vendas em 14% no terceiro trimestre de 2016. Produtos de beleza não são necessariamente prioridade de compra das famílias em momentos de crise, mas Legher conseguiu a façanha com uma receita simples: deu as costas à crise, voltou-se para os processos da empresa, fez lançamentos de produtos e envolveu sua equipe em uma aura de determinação. Enfim, proibiu o encantamento com a Medusa. Ao contrário cortou-lhe a cabeça e fez nascer mais um Pégaso.

Há outros bons exemplos de líderes que- como diz o publicitário Nizan Guanaes- “vendem lenços para os que estão chorando”.  O importante é não retroalimentarmos a ideia de crise e, se ela existe, não participar dela. Afinal, mais do que lamentar, há muito o que ser feito dentro de nossas empresas antes de nos deixar petrificar.

Júlio Miranda
Presidente da Miranda Consult
Diretor do Conselho de Presidentes
julio@conselhodepresidentes.net

 

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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