Decisão – todo cuidado é pouco!

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A tomada de uma decisão é, seguramente, um dos maiores desafios para qualquer tipo de empresa. O acerto ou o erro na decisão significa, invariavelmente, sucesso ou insucesso dos negócios. Para reforçar esse entendimento, Marcos Cortez Camponar e Ana Akemi Ikeda afirmaram, em um estudo sobre decisão, que “a administração pode ser vista como um processo de tomada de decisão e quanto mais corretas as decisões, melhor a administração.”

Com uma afirmação como essa, a decisão toma um caráter de muita importância, o que está correto. A dúvida é se podemos reduzir a administração apenas à decisão. Administração é muito mais do que isso. Mas a definição dos dois autores, por outro lado, como dito, colocam a decisão no patamar de importância que realmente merece.

Para efeito de introduzir o assunto de forma didática, digamos que as decisões podem ser divididas em dois grandes grupos – as estratégicas e as operacionais.

A bibliografia que trata do tema, apesar de escassa, tem concentrado muita atenção no primeiro grupo – as decisões estratégicas. Da mesma forma, palestrantes, consultores e outros habitantes do mundo corporativo, de uma maneira geral, se concentram nesse mesmo grupo. Isso também está certo. Uma decisão estratégica correta pode significar a glória, o atingimento do olimpo, o sucesso de qualquer corporação. Por outro lado, uma decisão estratégica mal tomada pode significar um tiro na cabeça.

O que as empresas de uma maneira geral não se dão conta e, portanto, não dão o devido tratamento, é que decisões são tomadas minuto a minuto. E mais, que não são tomadas apenas nas salas da gerência e da alta direção. Muitas decisões, passadas despercebidas pelo corpo gerencial, são tomadas nos corredores, no “chão de fábrica”, por grupos operacionais e, quando não tomadas adequadamente, minam a empresa, prejudicam seu desempenho, comprometem a performance e o sucesso, além de criar culturas inadequadas. Não ter consciência e, por consequência, não tratar essa realidade pode ser um tiro no pé.

Se o “tiro na cabeça” é fatal, o “tiro no pé” compromete o andar. Um “pé” tomando tiro a todo momento não permite ao corpo andar, mesmo que a cabeça esteja perfeita e tomando as melhores decisões estratégicas.

Aprofundando um pouco mais, vários autores, pesquisadores, consultores e outros profissionais do campo organizacional e social têm tratado desse tema por diversos prismas. Um ponto parece convergente da maioria deles – a decisão participativa é indicada como a mais acertada. Entretanto, existem grandes distorções quanto ao entendimento de decisão participativa. Alguns desses estudiosos pregam que os diversos atores que compõem a organização devem participar da decisão. Outros, mais tradicionalistas, pregam que as decisões, notadamente aquelas de caráter mais estratégico, devem ser tomadas pela cúpula, no topo da pirâmide organizacional.

Contrariando tudo isso, o grande consultor, estudioso, palestrante, o saudoso Kleber Nascimento, afirmava que as decisões são, em última análise, um momento de extrema solidão. São solitárias, pois, na prática, são tomadas por quem detém a autoridade real e concreta por decidir. Sou obrigado a entrar para o time do notável pensador.

Independentemente da visão de cada um, o importante para orientar uma boa decisão é o processo que leva a ela. O próprio Kleber dizia isso. Distinguir entre o processo total que antecede a decisão, a tomada da decisão, e as ações decorrentes é ponto fundamental para tratar esse delicado tema corporativo.

Quando raciocinamos sob a ótica do processo, temos clareza de inserir peças que permitirão que a decisão seja tomada da forma mais segura possível. Inserir peças no processo significa ouvir pessoas da organização, e de fora dela, independentemente da posição hierárquica que ocupem, que detenham um único ponto em comum. A esse ponto chamamos “possuir informações relevantes” ou mesmo visão crítica sustentada que agregue qualidade reflexiva para escolha do melhor caminho.

Com isso desmistifica-se o incorreto entendimento de decisão participativa, que passa a ser entendida, não como ouvir a todos indistintamente, mas ouvir todos aqueles que possam agregar qualidade à decisão, seja por possuírem informações relevantes, seja por agregar uma reflexão construtiva, que, como disse Kleber Nascimento, será tomada por uma pessoa em seu momento de pura solidão.

Outro aspecto importante, quando o assunto é decisão, é saber até que ponto a empresa possui valores estabelecidos, conhecidos e assimilados por todos. São os valores os principais balizadores para a tomada de uma boa decisão.

Caro executivo, caro gestor, pense e responda: você tem incluído no processo decisório seus pares que possuem informações relevantes, que contribuem com uma reflexão rica que agregue segurança a suas solitárias decisões? Na sua empresa, decisão estratégica e decisão operacional são objeto de atenção e tratamento? Sua empresa possui valores estabelecidos, conhecidos e respeitados por todos? A decisão tem sido compreendida por todos como um processo que envolve estudos e debates preliminares, a “canetada” e a implementação?

Se você respondeu negativamente a essas questões, ou teve dúvidas quanto às respostas, é bom ficar atendo, é bom estudar um pouco mais e tomar a seguinte decisão: na minha empresa não deixarei isso acontecer.

 

Carlos A. Portela
Fundação Pedro Leopoldo Educacional
Diretor Geral

 

 

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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