Empresas com propósito: oito dicas para implementar

Como desenvolver uma cultura orientada para o propósito

Estamos vivendo a 4ª Revolução Industrial, expressão cunhada por Klaus Schwab, fundador do Fórum Mundial de Davos, mas muitos autores, estão denominando este período de a Economia ou Era do Propósito, como Aaron Hurst e Robert E. Quinn- na qual um sentido mais elevado de significado e propósito no trabalho são fontes de inovação e de narrativa central do ambiente organizacional.

Grande parte das corporações já se deu conta de que o sucesso vai além do lucro. Elas estão mais prósperas e mais fortes ao promover a satisfação dos consumidores, riqueza dos acionistas, realização dos colaboradores e bem estar da sociedade. Esta nova concepção de negócios é validada por diversas pesquisas.

Uma pesquisa recente publicada na revista Harvard Business Review, em um levantamento feito com empresas de médio e grande porte entre os anos 1926 e 1994, revelou que empresas com um propósito maior que auferir lucros “tiveram seis vezes mais retornos para seus acionistas do que aquelas focadas exclusivamente no lucro” (The Type of purpose that makes companies more profitable).

Um novo paradigma de negócios

No início do século passado, as empresas buscavam a maximização do lucro e satisfação dos shareholders. Agora, elas buscam a geração de valor compartilhado e a satisfação de todas as partes interessadas (shareholders). Esta visão envolve um ressignificado do capitalismo, como bem expressam John Mackey e Raj Sisodia em “Capitalismo Consciente”.

Como escrevemos em nosso artigo “Empresas com propósito tem colaboradores mais engajados“, esta expressão designa organizações que estão adotando esta nova filosofia na forma de conceber, produzir e comercializar seus produtos e serviços, bem como no modo diferenciado de se relacionar com consumidores, governo e sociedade.

São empresas éticas, que gozam de respeito na sociedade e são mais admiradas pelos consumidores e pelo mercado. Empresas com propósito têm alma. Tratam seus funcionários com justiça e respeito. Elas estão sempre buscando uma maneira de se conectar com os consumidores para tornar a vida deles melhor, enquanto também procuram inovações para promover impacto social e ambiental em larga escala para melhorar a comunidade mundial.

Segundo Dan Pontecraft, autor de “The Purpose Effect”, o propósito de uma empresa define “quem” e o “quê” a empresa é para si mesma, para seus membros, seus consumidores e sua comunidade. “É o por que a organização existe.” Ele diz respeito a “princípios, ética, liderança e cultura”.

Os autores Robert Quinn e Anjan Thakor costumam repetir o mantra que “o propósito autêntico já existe”. Você deve descobri-lo, não inventá-lo. Cada decisão de negócios e ação que um líder realiza deve refletir a razão de ser de sua organização, apesar do custo. Só então seus colaboradores acreditarão e aceitarão seu propósito. Só então você despertará a lealdade e o esforço que uma missão autêntica e compartilhada inspira. Os lucros virão por consequência, segundo eles.

O propósito e o engajamento das pessoas

Como descrevemos no nosso artigo já citado, empresas com propósito possuem colaboradores mais motivados. Uma empresa com propósito só se constitui se as pessoas que a compõem compartilharem crenças, princípios e valores positivos e convergirem com entusiasmo em torno da causa e significado comum pela qual todos estão trabalhando juntos. Nas empresas com propósito, 83% dos colaboradores sentem que o trabalho lhes traz significado, segundo uma pesquisa da PWC. E, se eles não conseguirem encontrar propósito e realização em seu trabalho atual, afirmam que poderão procurar em outro lugar.

O propósito superior transforma pessoas e organizações. Ele afasta as pessoas do trabalho enfadonho, da motivação por dinheiro, promoções e recompensas extrínsecas, para a inspiração de trabalhar em direção a objetivos pró-sociais maiores do que eles próprios ou a empresa.

Para inspirar uma empresa colaborativa e inovadora, líderes com propósito precisam criar uma visão compartilhada, uma missão que todos participem de sua criação e autenticidade. CEOs eficazes promovem confiança, inclusão e senso de missão. Eles incluem todos e ouvem acreditam que todos tem o que contribuir. E estão sempre valorizando as contribuições positivas.

Quando a organização trabalha por algo maior, e o líder consegue transmitir esta causa, as pessoas se comprometem a este objetivo pró-social que terá impacto para todas as partes interessadas. Este modelo pode restaurar a fé no capitalismo.

Princípios da Empresa com Propósito

Os princípios da abordagem da Empresa Consciente de Mackey e Sisodia, descritos em seu livro, são úteis para inspirar a adoção de uma mentalidade de gestão baseada em propósito. Os quatro princípios são os seguintes:

  • Propósito Maior Compartilhado
  • Integração dos stakeholders
  • Cultura e Gestão Organizacional Conscientes
  • Liderança Consciente

Oito dicas para implantar a cultura do propósito

No seu livro “The Economics of Higher Purpose”, Robert E. Quinn e Anjan Thakor oferecem oito sugestões para implementar nas organizações que desejam ser orientadas por propósito:

  1. Visualize o seu propósito e coloque-o como seu motor

Reúna os líderes de toda a sua empresa e as pessoas-chave e escreva clara e sucintamente qual é o propósito da organização. Torne-o foco do negócio em todos os níveis.

  1. Encontre esse propósito

Analise profundamente as práticas que refletem este propósito e como traduzi-lo em ações concretas no dia a dia. Ele deve ressoar nos objetivos pessoais.

  1. Dê aos colaboradores a autenticidade de que precisam

Autenticidade significa mais do que dizer a verdade. A autenticidade requer integridade nos níveis factual e emocional. Exige vulnerabilidade e honestidade. Significado e propósito autênticos diminuem os escudos das pessoas e esvaziam as lutas políticas internas. Eles permitem relacionamentos e discussões mais fortes e criam uma aura positiva, tornando a empresa atraente para os melhores talentos.

  1. Baseie todas as decisões no propósito superior

Agora que você já tem o propósito, comunique-o de forma constante e implacável. Use-o como seu “árbitro constante” na tomada de decisões. Um grande aspecto dessa comunicação deriva de como você vive o propósito e como o exibe em tudo o que faz. Seu propósito autêntico deve informar cada decisão. Quando se trata de fazer “escolhas difíceis” – especialmente aquelas que poderiam gerar benefícios potenciais para a sua empresa – o propósito deve atuar como um filtro através do qual a decisão vem.

  1. Estimule o aprendizado contínuo

As organizações têm sucesso quando investem consistentemente em seu pessoal e Incutem uma mentalidade de crescimento em toda a sua organização. Inclua o aprendizado em seu propósito para dar aos colaboradores as ferramentas de que precisam para colocar o propósito em operação e executá-lo.

  1. Capacite a média gerência a liderar com base no senso de propósito

Para construir uma organização voltada para o propósito, “transforme os gerentes de nível médio em líderes voltados para o propósito”. Recrute, contrate e promova pessoas pessoas que tenham capacidade de inspirar e infundir propósito nos outros.

  1. Conecte as pessoas com propósito

Além dos líderes de nível médio, convença o restante da organização a abraçar o propósito. Conecte-se a eles por meio de seus sentimentos e objetivos e metas.

  1. Capacite os líderes e equipes que incorporam um propósito positivo

Cada empresa tem pessoas, líderes ou equipes com objetivos específicos. Encontre-os, reúna-os e pergunte como a organização deve ser no futuro e como eles podem ajudar a liderá-la. Capacite voluntários positivos e motivados a se espalharem pela organização, ajudando outros a ver o potencial da visão.

As empresas com propósito são as empresas que se tornarão as vencedoras no ambiente da Indústria 4.0 e da Revolução Digital. Pois sua premissa está baseada em um argumento infalível: as pessoas se motivam por propósito. Ele surge naturalmente quando você o nutre e a maioria das pessoas deseja contribuir para a sociedade e o planeta.

Se passamos dois terços da nossa vida no trabalho, ele deve valer a pena. Não seria razoável que seu trabalho devesse contribuir significativamente para satisfazer sua necessidade de propósito e significado, e melhor ainda, se fosse para o mundo também?

Marco Aurelio Morsch, Professor, Mestre em Administração de Empresas, Consultor e Palestrante.

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Este post tem um comentário

  1. Avatar

    MUITO BOM QUE EMPRESAS COM ALMA, EM QUE O RESSIGNIFICADO DE CAPITALISMO CORRE PELAS VEIAS DE SEUS STAKEHOLDERS, SEJAM AS QUE TÊM MAIOR SUCESSO.

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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