Lições que aprendi com Jack Welch

Nos últimos dias, o mundo perdeu Jack Welch, um dos meus grandes mentores, a quem considero um papa da gestão. Welch, que era americano formado em Engenharia Química e que fez história como CEO à frente da General Eletric, me trouxe muitos ensinamentos dos quais nunca esqueci e, na medida do possível, adotei nas minhas operações.

É de Welch, por exemplo, a regra 70, 20, 10 que consiste, basicamente, em premiar os melhores (20%); manter aqueles que têm uma boa performance (70%) e afastar os que apresentam mau desempenho (10%).  Isso me fez entender que ninguém motiva quem não está afim:  a pessoa precisa ser avaliada de uma forma muito criteriosa, precisa ter o fit cultura da empresa, ou seja, seus valores, ideais e objetivos precisam estar alinhados com a cultura da organização”

Sobre isso, certa vez, Welch disse que um dos seus maiores erros foi só analisar números e não o fit cultural das pessoas entre si: como essas pessoas lidavam entre si, se elas se adaptavam à companhia e aos C-Levels. Como se dava a comunicação entre elas. Isso me faz crer que o segredo é colocar a pessoa certa no lugar certo. Mais do que isso, em suas palavras, é preciso estar cercado de gente boa.

Entretanto, os ensinamentos que Jack Welch deixou me fazem pensar que nem tudo é sobre o outro, mas também sobre mim enquanto líder. Ele ensinou que um líder não é alguém a quem foi dada uma coroa, mas a quem foi dada a responsabilidade de fazer sobressair o melhor que há nos outros. Isso significa que o líder precisa inspirar, despertar a autoconfiança em sua equipe e fazer com que os demais, mais do que liderados, sejam seus seguidores.

Esse líder é capaz de extrair o melhor de cada pessoa, individualmente, e deve servir como uma espécie de farol, que indica qual a direção deve ser tomada pela equipe. Para ele, o papel do líder, além de CEO, é fazer com que todos em sua volta saibam para onde caminham, porquê caminham e, o mais importante de tudo, quais papéis desempenham nessa jornada e o que cada um ganha se estiver integrado a ele,

O líder não pode apenas ser aquela pessoa que designa tarefas e faz cobranças por resultados: precisa ser quem dá sentido às demais pessoas. Achei muito interesse a analogia que Welch fez do papel do líder e o Curling – que é um jogo olímpico de inverno que, talvez, você nunca tenha ouvido falar, mas traz lições incríveis. Eu também não o conhecia.

Pesquisando sobre esse jogo descobri que se trata de um jogo coletivo muito antigo, praticado desde o século XVI na Escócia. O objetivo é que os jogadores lancem pedras em direção de um alvo, vencendo quem tiver mais pontos.

Mas não é sobre o jogo em si que ele estava falando, mas sobre o papel dos “varredores” – que são os jogadores que vão à frente da pedra, utilizando suas vassouras para eliminar obstáculos e, com isso, definir a trajetória das pedras e a velocidade com que deslizam sobre o chão. É esse o papel do líder: desobstruir o caminho para que os demais possam agir. Que inspirador!

Entre outras grandes lições que aprendi com esse mestre, é que você não pode ser chamado de um bom gestor se permite que a sua equipe trabalhe às escuras. Isso me fez entender que além de estar cercada das melhores pessoas, de direcioná-las, é preciso retê-las. E isso se faz de uma forma simples: as amando, fazendo com especiais e reconhecidas, inclusive, financeiramente.

É preciso ser claro, transparente com as pessoas para que elas saibam em que posição estão e até onde podem chegar, como podem melhorar. Elas não podem ser pegas de surpresa. Daí a importância de feedbacks constantes.

Jack Welch sempre me pareceu uma pessoa sensível, generosa, e mostrou isso da melhor forma possível, incentivando que as pessoas se toquem, se vejam, interajam, compartilhem experiências, se coloquem no lugar do outro. Se tivesse que escolher uma última lição que aprendi entre seus conselhos seria: torne o seu trabalho divertido, pois, é nele que que você passa grande parte da sua vida. Lembre-se de divertir e empolgar, recompensar cada pessoa que consegue entregar aquilo que você deseja. Ele vai, sua lição fica.

Camila Farani

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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