Lidando com a complexidade

complexidade

“As pessoas temem a complexidade e admiram a sofisticação (complexidade percebida), ambas possuem consequências negativas”

A complexidade nos torna mais lentos, limitando nossa habilidade, de usar nossa intuição. Quanto maior a complexidade, maior a chance de nos atrasarmos para alcançar os resultados com os quais estamos comprometidos. Como gestores lutamos por simplicidade. O problema é que frequentemente nossas tentativas de simplificar a realidade terminam criando maior complexidade.

O medo da complexidade faz com que os gestores dividam uma organização em unidades menores. Nós supomos que unidades menores sejam mais simples de gerenciar, já que é mais fácil colocar foco e confiar em nossa intuição na tomada de decisões.
Mas essa tentativa de simplificar, normalmente tem com um preço muito alto.
Dividir a organização em pequenas unidades requer uma sincronização maior de esforços, aumentando assim a complexidade. Isso gera também um comportamento de times locais fazendo com que a organização torne-se menos focada.

Um exemplo da tendência de dividir uma organização em pequenas unidades é bem descrita no livro “American Icon” do CEO da Ford, Alan Mulally’s. Logo depois que ele assumiu, Mulally descobriu que havia não apenas uma Ford, mas muitas. Havia a Ford dos EUA, a da Europa, a da Ásia e uma série de outras divisões e filiais. E havia pouca coordenação, ou mesmo, cooperação entre as várias partes. A prioridade de Mulally foi fundir essas divisões regionais que estavam separadas em uma empresa única e global. Em uma entrevista matinal, perguntaram a Mulally se ele estava interessado em fazer uma fusão. “Sim”, ele respondeu:
Nós faremos uma fusão conosco mesmos.

O medo da complexidade também faz com que os gestores lidem com problemas de forma isolada. Quando encaram um problema, os gestores tendem a procurar por uma solução confinada dentro de uma área onde está o problema. Em operações, por exemplo, é muito comum lidar com problemas nas áreas de produtividade, qualidade e segurança separadamente como se eles não possuíssem relação entre si. A percepção é de que tentar encontrar a raiz do problema pode-se abrir uma caixa de Pandora em termos de dificuldade. Pode ser que setores diferentes necessitem ser envolvidos.

Por isso, apontar dedos é algo que pode ocorrer. Lidar com cada problema de maneira isolada torna mais fácil exigir uma contabilidade. Nós pedimos que o setor providencie uma solução para o problema na sua área. Mas esse curso de ação é inadequado para fazer uma melhoria global significativa.

Quando nós lidamos com cada problema isoladamente, nós lidamos com sintomas – não com a causa real. Enquanto a causa real permanecer intocada, os sintomas/problemas não irão embora, e ainda pior, novos poderão ser criados.

Para criar a simplicidade, os administradores precisam ter uma abordagem holística.

Nós temos que gerenciar a organização como um todo em direção à sua meta. É o entendimento profundo de como a organização estará atingindo a meta que cria a simplicidade. Esse entendimento nos permite construir e colocar os processos certos no lugar para sustentar a estratégia da organização. Também nos permite identificar e criar um consenso das causas raízes dos efeitos indesejáveis no ambiente e focar na melhoria dos esforços em torno destas áreas.

Wilson Leal
Engagement Director
Goldratt Consulting Brasil

Tradução do capítulo 4 do livro TOC-Thinking Removing Constraints for Business  Growth

Autor: Yishai Ashlag-VP da Goldratt Consulting

Compartilhe!

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Este post tem um comentário

  1. Avatar
    Anuar

    Muito bom, Wilson. De fato, sem considerar o todo, qualquer resolução em relação à parte, torna-se praticamente ineficaz.E isto inclui não só empresas, mas a própria vida.

Deixe uma resposta

Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

Receba nossas novidades

Estratégias que merecem destaque

Registre-se aqui para receber em seu e-mail nossas novidades.

Patrocinadores

Temas