Liderança em tempos de pandemia

Nenhum tema parece mais importante nesse momento do que liderança. Não quero parecer presunçoso em focar em um assunto no qual trabalho e sou apaixonado, mas a pandemia serviu como um chamado para a discussão de como a liderança impacta a sociedade como um todo. O desafio começa quando precisamos liderar as nossas vidas e, principalmente, assumirmos o comando de quem desejamos ser e nos tornar ao longo das nossas jornadas. 

E agora, que parece que tudo virou de “ponta cabeça”, como conseguimos lidar com tantas transformações? A crescente complexidade e volatilidade do mundo atual requer uma capacidade criativa e adaptativa de liderança, individual e coletiva, que evolua muito além do ritmo que essa complexidade aumenta.

Nos negócios essa lógica não é diferente. Como são a base da nossa economia, naturalmente o desenvolvimento de liderança se torna cada vez mais uma prioridade que não pode ser negligenciada. Um dos maiores desafios enquanto líderes de nós mesmos, de times e de organizações é compreender com maior profundidade como nos desenvolvemos e evoluímos em nossa complexidade de mente. A expansão de consciência se faz necessária para ampliar nosso olhar para valores como empatia e coragem, criando uma nova mentalidade coletiva para enfrentar os maiores desafios desse século.

Nesse contexto, a liderança integral se torna cada vez mais importante. Se trata de um estágio de consciência e maturidade humana que requer tanto um conjunto de competências que englobam a capacidade de fazer e entregar resultados sustentáveis, quanto meta-competências que são relativas a Ser. Essas dizem respeito as capacidades fundamentais que sustentam tudo o que fazemos e se tornam profundamente entrelaçadas com a estrutura de quem somos e como organizamos e respondemos ao nosso mundo.

A metodologia do The Leadership Circle aponta três meta-competências que serão crucias para a eficácia de liderança e a performance dos negócios, principalmente daqui para frente:

1. Autoconsciência:

A autoconsciência começa com o questionamento de quem somos e como criamos significados no mundo. Isso acaba determinando nossa complexidade de mente e nossa identidade no mundo. Com humildade e altruísmo, muitos líderes têm se posicionado de uma forma aberta e presente para aprender com sua comunidade, demonstrando uma agilidade emocional frente as adversidades que aparecem em uma quantidade e velocidades crescentes.

Esses dias mesmo vi um CEO global reconhecer publicamente que os testes clínicos que sua equipe tinha feito não foram bem-sucedidos, que estavam tristes, mas que tiveram um grande aprendizado e manteriam sua determinação e paixão para encontrar as soluções e medicamentos que pudessem suportar os médicos nas melhores tomadas de decisões de tratamento para seus pacientes. Um grande exemplo de integridade, transparência e presença.

2. Conexão Afetiva

No momento em que um líder demonstra tal integridade, empatia e coragem de se comunicar com sua comunidade, ele naturalmente cria uma conexão afetiva e cuidadosa com cada membro dela. Ele promove espírito de equipe, colaboração em todo o sistema e um senso de pertencimento e valor inquestionáveis. Podemos ver também esse tipo de conexão e intimidade na liderança autêntica e genuína de líderes como Ângela Merkel, Bill Gates, Jacinda Ardem e muitas outras.

A capacidade de reconhecer erros, aprender rápido e colaborar têm proporcionado inovações não somente em produtos, mas principalmente em modos de como trabalhar, viver e realizar propósitos importantes e significativos para a sociedade.

3. Consciência Sistêmica

E quando começamos a perceber que as inovações necessárias para a preservação da vida e do nosso planeta passam por uma integridade do Ser e uma conexão afetiva nos relacionamentos com todos e com tudo, uma consciência sistêmica começa a emergir gerando visões inspiradoras do presente e do futuro. Na liderança integral, líderes conseguem perceber que fazem parte de uma teia maior em que a responsabilidade de cuidar das relações, das pessoas, da sociedade e da natureza é a sua maior responsabilidade no mundo atual.

Os líderes começam a compreender que seus propósitos e trazem sua vulnerabilidade emocional como a força motriz, a energia propulsora para executar suas estratégias e atingir uma visão que seja valiosa para o planeta, deixando assim um rastro de legado para outras gerações. Líderes que possuem uma visão sistêmica enxergam as pessoas e organizações em todas as suas dimensões.

O líder integral é, por premissa, um ser integral na sua complexidade e plenitude nos âmbitos de corpo, mente, coração e espírito que se integram acessando uma sabedoria e consciência muito ampla, tornando-o capaz de lidar com esse mundo cada vez mais complexo, volátil, incerto e ambíguo.

A pandemia gerou uma urgência por uma liderança integral e deixou claro como essas características serão importantes para atravessarmos esse momento. Uma liderança consciente fará a diferença nas empresas, organizações, comunidades e sociedades, moldando a história e preparando o futuro.

Marco Brito, Country Director The Leadership Circle Brasil

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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