Mais digital, mais humano: como será o mundo pós-coronavírus

Tudo vai mudar depois da pandemia, aposta CEO de hub de tecnologia, que crê em mais generosidade e compaixão, permeadas pela maior presença da tecnologia nas relações sociais

Não podemos desperdiçar uma boa crise. Proponho uma pausa estratégica no tema da pandemia de coronavírus para falar de um mundo novo que já está a caminho. Na prática, a covid-19 apenas acelera transformações digitais e humanas que estão ocorrendo, especialmente o conceito de peoplecentric, literalmente, “as pessoas no centro”. E isso vale tanto para o consumidor quanto para os profissionais das empresas. Ou você respeita o indivíduo (todos) ou não pertence a esse mundo. Não falamos mais de clientes e funcionários, mas, sim, de comunidade. E só quando a comunidade ganha relevância, quando as pessoas jurídicas aplicam no dia a dia qualidades que costumamos associar às pessoas físicas, como verdade e sinceridade, que mudamos de fato.

Uma das pernas de sustentação do píer no qual devemos atracar é o retailment. Trata-se de uma fusão entre o varejo e o entretenimento, dentro da lógica de que as pessoas não se deslocam mais por necessidade, e sim por prazer. Assim, o estabelecimento que as recebe, seja qual for, tem de gerar prazer, além da solução do produto. Não basta ter o produto, tem de oferecer uma curadoria relevante sobre ele e transformar o momento da compra em algo “instagramável”.

Em uma fase de recuperação econômica pós-coronavírus, deveremos migrar, de forma contínua, de uma economia tradicional, da propriedade, para uma economia do acesso. Só na parte de reúso e locação de roupas e acessórios os EUA já movimentam US$ 21 bilhões. O mesmo ocorre com conteúdo, softwares, móveis, joias, em todas as verticais. É enorme a chance de novos modelos de negócio que surgirá após a pandemia.

A Rent the Runway, em parceria com a rede W de hotéis, por exemplo, criou o guarda-roupa na nuvem. Assim, as pessoas não precisam mais carregar sua malas para viajar e, quando chegam ao destino, o armário do hotel já está preparado, com roupas locadas para usar por uma semana.

Ainda estamos acostumados a comprar e a vender coisas novas. Com a escassez gerada pela covid-19, chegaremos a uma sociedade que, provavelmente, usará melhor seus recursos, até porque eles custarão mais barato. Ficará mais fácil comprar produtos usados ou alugá-los. A Ikea, maior rede de móveis do mundo, informou que passará a locar seus berços em vez de vendê-los. 

Faz todo sentido. Conseguiremos fazer mais com menos. E, do ponto de vista do ambiente, teremos uma produção mais inteligente. Para o varejo que operar com usados, significa trabalhar com menos investimento em estoque, o que deixa as operações mais rentáveis.

Seguimos: os chatbots vão crescer tão rápido quanto os serviços de delivery. Isso permitirá que, na mesma plataforma que estamos usando para nos comunicarmos, também poderemos resolver uma necessidade rápida, utilizando inteligência artificial. Isso também será acelerado com a internet 5G.

Mas ainda há mais mudanças que a pandemia deve provocar, com o provável fim do dinheiro físico. Essa “morte” está baseada numa lógica que já acontece em alguns países. Curiosamente a China, onde surgiu o novo vírus, foi a primeira a dar o pontapé, e desde 2018 não usa mais o papel-moeda. Parece razoável apontar esse fator como ajuda para controlar o vírus de altíssimo contágio – porque o dinheiro é um grande transmissor de vírus e bactérias. Do ponto de vista empresarial, quando o cliente paga utilizando uma carteira digital (wallet), amplia a segurança e a captação de dados. E utilizando técnicas de geolocalização para oferecer o produto certo, na hora certa, para o cliente certo.

Tão logo consigamos reorganizar as nossas responsabilidades profissionais após o terrível momento pelo qual estamos passando, devemos focar nesse novo mundo, usando o precioso intervalo obrigatório que estamos fazendo para algo relevante, decisivo para todos. Assim, nos aproximaremos das soluções digitais já existentes para nossas atividades. Na prática, usaremos nossa própria organização de uma forma melhor para as pessoas, seja com serviço, seja com produto. As marcas passarão a ser realmente indivíduos e, como tal, só vão prosperar com verdade e amor ao próximo, usando a tecnologia para acelerar seu propósito.

A crise atual é, também, existencial, e ensina que sairemos dela mais conscientes de que o caminho para a paz passa pela compaixão e pela tecnologia.

Nada ficará como antes. Nenhuma empresa, nenhuma pessoa.

Gustavo Schifino
CEO da DX.CO, plataforma de transformação digital da venture builder 4all

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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