Metas : Será que funcionam?

 METAS

Estou nesse momento no Aeroporto da Portela, em Lisboa, em uma daquelas viagens inesperadas que as circunstâncias da vida nos impõem como surpresa, sem avisos prévios. Há uma semana atrás eu nem sequer poderia imaginar que eu estaria aqui. No vôo da TAP (muito bom por sinal – equipe da United, por favor aprendam), tive o prazer de vir conversando com uma daquelas pessoas nas quais vale a pena investir tempo e atenção sem nenhum risco. Falávamos sobre metas, objetivos, alvos e destinações pessoais e corporativas de um modo macro.

Onde queremos chegar? O que queremos, em nível profissional e pessoal, que nos alimenta a motivação? Sim, porque não é a motivação que dá forças a uma meta, mas a meta que deveria ser a verdadeira propulsora da motivação. Erro grave os que pensam que um profissional tem que estar previamente motivado para, a partir de então, encarar uma meta “entubada”. Com todo o respeito a quem não acredita em “teorias”, pesquisas sérias sobre o tema mostram que a motivação verdadeira é exatamente aquela que nasce na meta. Naturalmente, a responsabilidade pelo estabelecimento de uma meta torna-se ainda maior, pois é aí que reside a diferença entre uma meta que já nasce morta, e uma meta que convida pessoas a brilharem.

Isso acontece porque o tema “meta” é uma “receita” com ingredientes muito claros e irrefutáveis:

  1. Primeiro, as pessoas precisam estar ligadas emocionalmente às suas metas, de modo que a ausência dessa conexão transforma a meta em mero protocolo que, acredite, não será cumprido.
  2. Além dessa conexão emocional, é preciso que a meta esteja condizente com os princípios do indivíduo. A meta nasce na ligação emocional, é verdade, mas os princípios são nutrientes para manter a meta viva e firme – e até adaptável se for o caso.
  3. O próximo ingrediente de uma meta vencedora é a honestidade em si mesma: metas precisam ser sinceras, ou melhor, precisam ser vistas como desafios que sinceramente serão gratificantes. Aquilo que você vai alcançar se atingir a meta precisa ser algo ligado à sua satisfação existencial, e não apenas a uma vitória circunstancial. Metas cuja recompensa esteja no campo dos imediatismos, dificilmente serão mais do que informação alfanumérica num papel ou num arquivo de Excel.
  4. Outro ingrediente indispensável para metas de sucesso é coerência. Se ao estabelecer uma meta você não for capaz de visualizá-la mentalmente projetando como será o contexto de futuro caso ela seja alcançada, não se trata de uma meta estimulante que desperte em você a paixão por agir em prol de sua conquista.
  5. O próximo ingrediente é a necessidade: metas verdadeiramente coesas com as maiores chances de sucesso são aquelas que representam a conquista de algo que você precisa de fato. Você não vai alcançar a sua meta, ou a meta imposta por alguém, se sua conquista não representar objetivamente o alcançar de uma recompensa que sacie uma necessidade real da sua vida – seja ela financeira, social, emocional ou religiosa. Via de regra, as pessoas não batem metas para “manter” algo, mas sim, para “conquistar” algo.
  6. Por fim, o último – mas definitivamente não menos importante – ingrediente para estabelecer uma meta coerente é o grau de dificuldade: não pode ser fácil, e definitivamente, não pode ser impossível. Deve ser idealmente difícil, demandando trabalho, gerando entusiasmo e necessidade de ações que coloquem para funcionar o intelecto e/ou o próprio corpo em seus limites.

Eis a receita de uma meta infalível, seja ela de cunho pessoal, ou coletivo.

O fato é que durante o vôo, meu mais novo amigo e eu rememoramos uma inumerável quantidade de circunstâncias em que vimos nascer metas absolutamente falidas, deficientes, malogradas e honestamente inúteis, a maioria delas imposta sem o menor critério ou técnica. Até tinham conexão com a necessidade pessoal ou corporativa da circunstância, mas boas receitas não se fazem com um ingrediente só. Não há dúvidas: uma meta infalível precisa estar emocionalmente ligada a seus executores, precisa ser alicerçada nos princípios de quem irá por elas batalhar, deve ser indispensável para a vida de quem a perseguirá, tem que manter seu cérebro vivo testando seus limites, e indiscutivelmente precisa ser projetável e visualizável pela mente de quem se candidata a alcançá-la. Para esse tipo de meta, não há pessoa, tempo, momento, espaço ou distância que seja dificultador maior do que o absoluto desejo de cumprí-la. Se vai acontecer com as ferramentas que você tem nas mãos, ou com outras que o futuro trará, não importa. A única diferença entre sucesso e fracasso está, originalmente, dentro de nós e no equilíbrio de nós mesmos.

Minhas metas são muito bem definidas sob toda essa ótica macro, muito bem iluminadas pelo meu melhor entusiasmo e alicerçadas no desejo de meu mais honesto investimento pessoal.

E as suas?

Anderson Coutinho
CEO
CORPORATUM Planejamento Estratégico
www.corporatum.com.br

 

 

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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