Ninguém precisa de produtos!

 

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Eu tenho um sítio na Serra do Cipó, paraíso com a maior biodiversidade vegetal do planeta. São mais de cinco mil espécies de flores, além da imensa riqueza de sua fauna, cachoeiras e rios cristalinos.

Se pudesse, viveria lá os 365 dias do ano, mas já passei da idade de sonhar em “sobreviver da venda de sanduíches na praia”. Assim, mesmo nas oportunidades em que consigo “parar para que a minha alma – que ficou para trás por causa da correria do dia a dia- reencontre o corpo”, como diria o líder indígena Kaká Verá, não posso ficar isolado por lá. Clientes não podem esperar.

Mas, meu Iphone não consegue conexão na Serra do Cipó, mesmo com o chip da única operadora que, “com cobertor curto”, cobre a localidade. Por sorte,  a minha caseira possui um aparelho chinês, do qual eu nem sei a marca, que custou apenas oitenta reais. Com o aparelho ela se conecta com o mundo, e utilizando o chip da mesma operadora.

Desculpe-me Professor  Jerome McCarthy, criador do conceito Marketing Mix, mas isso faz o “P” de Produto, dos quatro pês do “mix de marketing” não ser assim tão importante.

Eu não preciso de produto e sim dos benefícios que proporciona.

Não preciso de telefone celular, preciso é de comunicação, não importa se o aparelho custa dois mil ou apenas oitenta reais.

Por analogia, o “P” de Preço também não é tão importante, porque se eu não tiver o benefício do produto ou serviço, qualquer montante pago será caro. Mas, se eu tenho o benefício, aí não é uma questão de preço, mas de valor. É por isso que um guarda-chuva de camelô é muito caro a cinco reais em tempo de seca, mas vale quinze, vinte ou até mais em tempo de chuva. E se a procura for grande, aí então o valor aumenta e o preço vai junto devido à escassez, que é fator de valorização.

Outro “P” que fica comprometido é o da Praça, ou Ponto de distribuição, pois a internet e serviços de delivery permitem que eu sequer precise sair de casa para fazer minhas compras. Não se pode desprezar um bom ponto, que ainda é importante, mas nada como ter acessibilidade sem precisar ir até lá.

Mas o “P” de Promoção continua vivo. Não pela ótica da propaganda ou simples promoção, mas pela conexão com o cliente, que suscita o sentimento de Pertencimento. As relações entre fornecedores e clientes evoluíram, deixaram de ser pontuais, precisam ser permanentes e intensas, ricas em informações e serviços. Com isso, a tradicional promoção deixa o papel principal para se tornar coadjuvante.

Desculpe-me Professor McCarthy, mais uma vez.
O “Mix de Marketing” evoluiu para Benefícios, Acessibilidade, Valor e Conexão.

Mas o mérito continua seu, pois estes atributos nada mais são que seus netos, filhos dos quatro Ps.

Júlio Miranda
Diretor do Conselho de Presidentes e da Miranda Consult
julio@conselhodepresidentes.net

 

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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