O que as empresas podem aprender com um pit stop de Fórmula 1?

 

pit_stop_01

 

Na década de 50 o tempo médio de um pit stop de um F1 durava eternos 67 segundos. As trocas de pneus eram feitas na lateral da pista por 4 mecânicos com suas marretas. Ao lado passavam carros com velocidades inimagináveis numa estrada brasileira. Seus trajes? Bermudas e camisetas. Em 1955, um grave acidente que causou 80 mortes num grande prêmio deu origem a novas regras de paradas nos boxes e a uma grande busca pela segurança nas corridas.

No início dos anos 80, quando a maioria das escuderias via o pit stop como algo muito complicado, o engenheiro Gordon Murray vislumbrou a possibilidade de transformar a parada em uma estratégia para ganhar corridas e campeonatos. Utilizando uma análise sistêmica ele chegou a conclusões de que a redução do peso do carro em 500g levaria a um ganho de 1 centésimo de segundo por volta e que grande parte do peso do veículo estava no tanque de combustível. Suas análises mostravam que a redução do tanque e da quantidade de combustível, abaixaria o centro de gravidade do bólido e o tornaria ainda mais veloz. Aliado a isso, o desgaste dos pneus seria menor e a aderência seria maior. Ou seja, as simulações mostravam que uma parada estratégia de menos de 26 segundos se tornaria uma vantagem competitiva de baixo custo para uma escuderia, como a Brabham, que detinha um orçamento muito inferior as gigantes da época Ferrari, McLaren e Williams.

A visão teórica para as mudanças necessárias estava clara. O grande desafio era transforma-la em práticas que garantissem os resultados vislumbrados. O compartilhamento dessa visão aliada a uma forte coalisão com a equipe foram fundamentais para as mudanças que perduram até os dias atuais. Muitas tecnologias e inovações, coisas que hoje parecem simples, foram introduzidas como melhorias nos carros e nos equipamentos usados nas paradas.  Tais fatos ratificaram a visão de Murray e transformaram as paradas em estratégia que levou a Brabham a vencer o campeonato em 1983 com Piquet. Ocasionalmente, tecnologias ainda não muito testadas e aprovadas podem comprometer corridas e campeonatos, como exemplo, a perda do título de 2008 pelo piloto brasileiro Felipe Massa após uma falha em um semáforo no pit stop de Cingapura.

Nas temporadas de 2009 e 2010 a RBR (Red Bull Racing), num processo de melhoria contínua, fez várias simulações e reavaliações de cada etapa de um pit stop. Entrada e saída dos boxes, sistemas automáticos, posicionamentos e movimentos dos mecânicos… E, a partir do diagnóstico definiu sua estratégia de trabalho para evolução das suas paradas. Resultados? Hoje, o tempo que você gastou para de ler essa frase até aqui, já foi quase suficiente para a troca de 4 pneus em um bólido de F1. Detentora de 1,92s em 2013 a RBR viu seu feito ir para os ares após a Willians bater esse recorde em 2016, pasmem, com 1,89s para a troca dos quatro pneus.

É sabido que o espetáculo de um pit stop enche os olhos de líderes apaixonados pelo trabalho em equipe. É impressionante como 20 mecânicos, equipados com macacões, capacetes, pistolas pneumáticas, macacos e vários equipamentos de segurança, sabendo claramente seus papéis e responsabilidades, trabalham em sincronia em espaço tão pequeno. Nesse trabalho a descarga de adrenalina e cortisol são enormes. Os treinamentos são exaustivos. As equipes fazem aproximadamente 2.000 simulações de trocas antes do início do campeonato, e umas 50 simulações durante cada final de semana de GP, que envolvem a equipe e os pilotos.  Senna, conseguiu o feito de reduzir ainda mais o tempo nas paradas fazendo aproximações e saídas dos boxes no limite de velocidade. Fica evidente que as capacitações técnicas, individuais e o trabalho em equipe são fundamentais para o êxito do time.

Ou seja, o fator humano continua sendo o diferencial.

E então, o que as empresas podem aprender com a evolução e com os resultados espetaculares atingidos pelas escuderias de F1 no pit stop?

Sandro Ricardo Borges
Engenheiro Mecânico pela Unesp, com Especializações em Engenharia Ferroviária pela PUC Minas e em Desenvolvimento de Gerentes pela Fundação Dom Cabral/MG,
com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas – EPGE/RJ.

 

 

Compartilhe!

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Deixe uma resposta

Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

Receba nossas novidades

Estratégias que merecem destaque

Registre-se aqui para receber em seu e-mail nossas novidades.

Patrocinadores

Temas