O touro mecânico do CEO

 

Foto JM POSSE

 

 

 

 

 

 

O CEO de uma grande corporação dizia outro dia que se sentia “montado em um touro mecânico”. Segundo ele, as certezas do momento e, principalmente, as incertezas quanto ao futuro impunham a ele ter de se equilibrar entre a escassez e custo elevado de capital de giro, cortes de custos e esforço para preservação de talentos, crescimento dos negócios mas com queda acentuada de lucratividade. “Eu não queria participar da crise, mas ela está entrando na companhia pela porta da frente sem ser convidada”, lamentava diante de outros líderes empresariais que acenavam positiva e solidariamente balançando suas cabeças, que em seguida voltavam a se fixar procurando no infinito do chão alguma saída.

Ao perceber a desilusão do CEO e de vários de seus pares com o momento que o país está atravessando, um empresário judeu que se refugiou com sua família no Brasil fugindo do holocausto, sem dispensar o microfone apesar das pequenas dimensões do ambiente disse: “De pé para ser visto. Falando alto para ser ouvido. E breve para ser aplaudido, quero compartilhar com todos o meu sentimento. É o sentimento de quem já sentiu na pele uma verdadeira crise e está assistindo pela televisão a uma outra crise de caráter humanitário, que assola os irmãos sírios”.

E continuou: “o Brasil é um país uno, não tem guerras, o povo é feliz independentemente de crises. A não ser em casos isolados, aqui existe tolerância racial, religiosa, de orientação sexual. O país é maravilhoso e pertence ao seu povo e não ao alto meretrício provisoriamente instalado em Brasília”. Mesmo diante de gargalhadas, o empresário não perdeu as feições graves e continuou: “temos de procurar oportunidades que as crises proporcionam, inovar, reinventar produtos e serviços, identificar novos territórios para vendas. É o momento de se fazerem reformas estruturais nos governos e nas empresas, incorporando definitivamente nas rotinas- mesmo após a crise, e crises sempre passam – práticas de gestão parcimoniosa dos recursos, de combatividade em vendas, de bom tratamento aos clientes.  Com isso, estarmos preparados para as próximas crises e nos inspirarmos no lema da Mercer, organização líder mundial em talentos: ‘Make tomorrow, today’. E não há outro caminho que não seja segurar firme para se manter montado no touro. Barretos nos ensina isso muito bem”, concluiu sob aplausos, mostrando-se muito bem adaptado ao Brasil.

Segura peão !

Júlio Miranda
Diretor do Conselho de Presidentes e da MirandaConsult
julio@conselhodepresidentes.net

 

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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