Por que não trocar o ESG pelo ET ?

Envolver e engajar nossas 453 empresas associadas no tema Sustentabilidade tem sido a nossa missão nos últimos 13 anos. Incansável, o Departamento de Sustentabilidade do CIESP-Campinas tem sido exemplar no esforço, mas na mesma medida em que observamos o avanço neste terreno também temos consciência que é preciso avançar mais e, agora, mais rápido.
Sustentabilidade na estratégia das empresas é fundamental e tem sido esse o nosso mote, para que não tenhamos apenas pautas de projetos que não gerem quaisquer valores para todos os atores com os quais essas empresas se relacionam, os Stakeholders.

No primeiro semestre de 2020, em meio à pandemia do Coronavírus, recebemos em nossa sede, de forma virtual, profissionais especializadíssimos no tema como Sônia Favaretto e Ricardo Voltolini que nos brindaram com suas posições. Trataram das abordagens “Sustentabilidade uma agenda estratégica e inadiável” e “Tendências em Sustentabilidade pós-Covid 19”, respectivamente.

No segundo semestre entrou em cena, com força, na mídia, o conceito ESG. Largamente utilizado no mercado financeiro, significa, “ambiental, social e governança”.
Ora, ora, até então no mercado corporativo o tema Sustentabilidade era vinculado ao triple botton line consubstanciado em econômico, ambiental e social, enquanto no setor bancário a terminologia se restringia a risco socioambiental.

Observando a linha do tempo da Gestão Socialmente Responsável, que data de 1920 com a criação da Liga das Nações para promover a paz e a segurança no pós-guerra, é preciso nos conscientizarmos que não podemos mais produzir e consumir da forma desenfreada como ocorre hoje, pois nossa pegada de carbono está muito alta.

Seremos a sexta geração a sumir da face da terra se não mudarmos nossa atitude (revista Veja – 30/09/2015 – Rumo ao Hexa). E para proceder a esta mudança, de forma não pelo amor e sim pela dor, ou seja não pelo engajamento e convencimento e sim pela força que, teoricamente, nada legitima, veio o mercado financeiro nos ajudar nessa missão urgente!

A saída da crise do novo Coronavírus e a retomada da economia não serão tarefas simples, na visão de Larry Fink, presidente da maior gestora de fundos de investimentos do mundo, a norte-americana BlackRock. Em uma live realizada com Sergio Rial, presidente do Santander Brasil, na tarde do dia 14/05/2020, Fink afirmou que a Sustentabilidade deverá estar na estratégia das empresas e que ESG seria o balizador para investimentos da sua gestora de fundos.

Começamos a observar como consultores que somos, que muitas empresas começaram a providenciar seus Relatos Integrados como forma de captação de recursos/IPO. Em linguagem popular, uma vez mais verificamos que “o órgão mais sensível do ser humano, o bolso”, começou a se manifestar sem perda de tempo. Curioso, não?

Como vimos acima, a linha do tempo data de 1920 (um século, portanto!), e nesse ínterim já tivemos a Eco 92, depois a RIO+20, Rio+20+1 e só agora parece que a ficha caiu para o mundo corporativo/empresarial.

O que mudou, afinal? Pela minha leitura, absolutamente nada. Temos na sustentabilidade a ideia do equilíbrio entre o econômico, o  social e o ambiental e, na sua base, ética, transparência, respeito a diversidade e boa governança corporativa.

O que difere de ESG, não está tudo ai? Por que só agora a ficha caiu?  Foi o bolso mesmo?

Na live Cidadão Global com Al Gore e grandes líderes sobre Sustentabilidade promovida em 25/05/2021, pelo Banco  Santander e  o Jornal Valor econômico, fora mencionado que o Vice Presidente Americano já utiliza há muito tempo  os parâmetros do  ESG para a definição dos seu investimentos e não agora que é “moda”.
Quando se coloca o “E” de econômico EESG, este já não estava no tripé? E o “G” de governança na frente? O GES não estava na base da sustentabilidade? Ora, ora… Por isso fico com a sensação de que nem ESG, nem EESG, nem GES, nem tripé da sustentabilidade com outros pilares como Educação, Cultura, Generosidade. Defendo o “ET”, que não tem a ver com extra terrestre!. Refiro-me a Ética e Transparência na sua plenitude. Com este binômio tudo se resolveria, de forma simples e sem escaramuças. Colocada a questão, agora é com vocês senhores e senhoras especialistas.

Luiz Fernando de Araújo Bueno, Administrador de Empresas e Professor da FGV.

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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