Se você é dono, ou acionista, cuidado! A meritocracia pode estar matando sua empresa.

 

meritocracia
A Meritocracia pode estar matando sua empresa

Meritocracia, vamos falar sobre?

Se abrirmos hoje qualquer revista especializada em negócios, encontraremos certamente em suas páginas algum artigo que valorize a meritocracia. Quem faz mais, ganha mais, mas isso esconde uma “pegadinha”, que pode comprometer o futuro da empresa.

Dentro dos procedimentos habituais da meritocracia está o pagamento de vantagens para quem atinge metas e, é justamente aí que o perigo pode estar instalado. A pressão pela redução constante de custos é hoje um fato quase que inexorável e parte-se do pressuposto básico de que todos querem comprar produtos com mais qualidade, maior durabilidade, melhor desempenho, novas funções etc., porém sempre pagando menos por eles (questiono isso também, mas esse não é o tema aqui). A empresa precisa ser hoje mais eficiente do que ontem e amanhã mais do que hoje, em um moto contínuo.

Deixemos de lado aqui os aspectos que envolvem a melhoria dos produtos e nos foquemos na ânsia por reduzir custos. Tudo tem que custar mais barato a cada dia e, não raramente, as metas envolvem a redução dos preços de compra (dos fornecedores), e/ou o aumento do lucro. É preciso vender mais, gastando menos, obtendo preços de venda mais baixos, gerando mais “lucro”.

Por que coloco esse lucro entre aspas? Justamente por que isso pode ser aparente, gerado a curto prazo, mas escondendo um prejuízo provável (ou certo) a médio/longo prazo.

Meritocracia x Lucro

Se é preciso reduzir os custos para bater a meta (e receber o bônus), mas se o limite para essa redução foi atingido, o que fazer? Contentar-se,  recorrer a que a meta seja revista, ou criar mecanismos artificiais que façam parecer que a redução aconteceu, quando de fato não foi? Essas artimanhas criativas, que eu chamo de “bombas armadas para o futuro”, podem ocorrer na eliminação de processos de qualidade, na compra de materiais inferiores, na fraude a obrigações fiscais ou, especialmente no caso do Brasil, na compra de serviços a preços abaixo de seus custos reais, o que deixa passivo trabalhista sério e certo, mas que não é exigido em curto prazo.

Existem muitos exemplos de casos assim mas, para que não nos estendamos, cito apenas o daquela  montadora de veículos, de porte mundial, cujos gestores criaram (ou deixaram criar) uma forma de burlar a fiscalização da emissão de gases por alguns de seus modelos, obtendo com isso um grande lucro em pouco tempo. Provavelmente fizeram jus a gordos bônus, que foram devidamente pagos, mas agora a empresa enfrenta a obrigação de pagar indenizações e multas milionárias. O lucro obtido compensou o prejuízo posterior? E, de quem foi esse prejuízo? Apenas dos executivos que autorizaram o malfeito, ou dos donos, sejam eles majoritários ou simples e pequenos acionistas? Todos perderam, mas a empresa perdeu mais, tanto em dinheiro, quanto em prestígio de sua marca, duramente construído durante anos.

Meritocracia x Desafios

Dia desses assisti a uma palestra onde foi apresentado um relatório global da LHH, que demonstrava ser o comprometimento das lideranças um dos maiores desafios a superar, para nada menos que 72% das empresas pesquisadas. Me pergunto se isso não seria  por causa justamente das metas e bônus, que criam o compromisso, muitas vezes mais com os resultados individuais dos gestores, que propriamente com os da empresa.

Situações como essas são comuns em empresas de todos os portes. Pressionados pela vontade de atingir os bônus (e também pelo medo de perder seus empregos) executivos de vários níveis criam fórmulas mágicas para melhorar os resultados daquilo em que são avaliados, sem se importar muito com o futuro de suas ações, pois os prejuízos, quando vierem, não será de sua responsabilidade, visto que já terão deixado a empresa, partindo provavelmente para algum posto mais alto em outra empresa, levando consigo, paradoxalmente, a fama de “geradores de resultados”.

Se você é dono, ou mesmo um pequeno acionista, e sua empresa oferece aos colaboradores, de qualquer nível, bônus por batimento de metas, fique atento aos indicadores que são utilizados. Veja se não existe a possibilidade de que uma bomba fique armada, para estourar depois no seu colo.

 Sidney Porto
Gerencial Brasil
Presidente do Conselho

Compartilhe!

Este post tem 2 comentários

  1. Caro Sidney
    De fato existem muitas armadilhas ao criar-se metas e indicadores sem um alinhamento dos mesmos com a estratégia e ainda gerando máximos locais por setores ao invés do máximo global para a empresa.
    O CBC, ou corte burro de custos, é uma miopia destrutiva advinda da contabilidade de custos e que deve dar lugar à Contabilidade de Ganhos proposta por Goldratt no livro A Meta (Nobel).

  2. Excelente! Há algum tempo penso sobre isso e você tocou muito bem nos pontos sensíveis da questão. O bolso acaba sendo um órgão do corpo humano que fala mais alto do que o coração. E isso pode nos trair várias vezes.

Deixe uma resposta

Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

Receba nossas novidades

Estratégias que merecem destaque

Registre-se aqui para receber em seu e-mail nossas novidades.

Patrocinadores

Temas

Fechar Menu