Sempre foi assim

Metas nas Empresas

É de Roberto Tranjan, grande educador empresarial, a frase que, ao meu ver, melhor trata aquilo que jamais deve sair da mente do empresário:

“as perguntas mantém vivo e ativo o processo de aprendizado, enquanto as respostas o encerram”.

Todos conhecemos bem a velocidade atual das mudanças e o impacto que elas trazem sobre os negócios, por isso penso que fazer perguntas, seguidamente e incessantemente, seja a melhor forma de aprimorar nossos conhecimentos e de estabelecer processos. Tudo deve ser questionado, o tempo todo e essa é a melhor forma de nos mantermos atualizados.

É, entretanto, engraçado como, em um mundo onde as palavras de ordem são disrupção, evolução, indústria 4.0,  revolução digital, etc, ainda exista nas empresas tanta coisa não questionada, processos e procedimentos que se mantém há tempos, simplesmente por que “sempre foi assim”. Repete-se o que foi feito anteriormente, sem qualquer preocupação em questionar se aquilo ainda é válido, ou até mesmo útil. As empresas, em busca de crescimento, querem sempre um destino diferente, mas não percebem que continuam a utilizar o mesmo caminho.

Metas nas empresas

Um desses processos, que sempre me incomodou, é composto pelas famosas e tão odiadas metas. Metas para isso ou aquilo, invariavelmente definidas por quem não estará com a responsabilidade de que se tornem realidade, passadas adiante para que sejam atingidas,  mas quem vai entregar os resultados raramente teve direito a participar da discussão. Mal comparando, seria como, em um time de futebol, houvesse um departamento responsável por, antecipadamente, definir o placar de cada partida, imposto aos atletas mas sem combinar com o time adversário. Faz sentido? Penso que não.

Definição das metas

Além disso metas são instrumentos capazes de desestimular completamente um time, se estiverem acima da realidade possível, ou de torná-lo leniente caso estejam abaixo dessa realidade e, convenhamos, raramente as encontramos justas, que representem o necessário desafio porém factíveis.  Já vi times de vendas que decidem “tirar o pé” em meados do mês em curso, por que a meta já estava atingida e, “se vendermos mais, mês que vem a meta virá ainda maior”, em um reconhecimento de que os parâmetros para definição das metas de vendas eram os resultados alcançados, não o potencial do mercado.

Alguns podem perguntar então: mas como buscar melhorias sem as metas?

Penso que existam algumas formas, como o estabelecimento de faixas de premiação (quanto mais se faz mais se ganha, estimulando sempre o resultado máximo), mas melhor mesmo é realizar uma boa conversa com quem vai ter que entregar os resultados, ajustando com essas pessoas o que seja melhor para a empresa e também para todos os envolvidos. Assim será possível ouvir as pontas do processo e caberá sempre ao líder conduzir para que se chegue à melhor equação, um pacto a ser cumprido por todos. Troca-se a meta, definida por A para ser entregue por B, pelo compromisso com um objetivo, definido por A + B.

Citando novamente Roberto Tranjan:

“As pessoas não são resistentes a mudanças, mas a serem mudadas.”

Enquanto metas de cima para baixo são mudanças impostas, nunca vistas com bons olhos e raramente motivadoras para as equipes, compromissos pactuados e muito mais eficientes.

 

Sidney Porto

Presidente do Conselho da Gerencial Brasil

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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