Stakeholders 5.0

Na acelerada evolução que o mundo experimenta, ainda existem crenças de que o passado é que era bom. Eu prefiro a sátira do poeta paraibano Jessier Quirino que diz:  “Vou-me embora pro passado. Lá sou amigo do rei. Lá existe muito mais futuro”. Na sequência de futuros, vem desembarcando a Sociedade 5.0, que tem o ser humano como foco. É sucessora das sociedades da caça e pesca (1.0), da agricultura (2.0), da  indústria (3.0), e da 4.0, da informação. A Sociedade 5.0 é o presente que devemos construir para que o futuro nos conceda um delicioso saudosismo à moda do poeta.

Noto que nos três primeiros modelos de sociedade, o foco eram os processos. O ser humano vinha como consequência, beneficiário casual, mais pelo labor do que por ser centro dos propósitos. No quarto modelo, num salto de evolução, os processos dão lugar a recursos tecnológicos avançados, colocando o ser humano parcialmente no foco das causas, embora ainda seja usufruidor casual em muitas organizações no mundo dos negócios.

Entendo que só obtêm sucesso as organizações que proporcionam benefícios às pessoas, mesmo que, num primeiro plano, essa não seja a principal preocupação. Felizmente, numa espiral virtuosa de evolução, a Sociedade 5.0 coloca o ser humano como causa e não como simples consequência de processos e recursos das sociedades anteriores.

Roberto Crema, em seu ainda atual livro de 1989,  “Introdução à Visão Holística”, afirma que a humanidade requer uma “cosmovisão, encontro de ciência e consciência”, visão felizmente assumida pela proposta dessa nova Sociedade. Mas não será possível a ciência incorporar a consciência, se não houver uma mudança de mindset, especialmente das lideranças. Afinal, a proposta vai além de boa gestão de meios e recursos de produção, exigindo comportamento consciente.

Numa visão de ecossistema, acredito que na Sociedade 5.0 todos precisarão ser 5.0: líderes, empresas, governos, religiões e investidores, porque, certamente, as exigências dos públicos alvos também serão deste nível. O líder que quiser dar um salto exponencial para a nova realidade, “precisará ser inspirador, mobilizador, colaborativo, educador e formador de novos líderes 5.0”, como defende o consultor Paulo Vasconcellos. Completando o perfil do líder, como afirma Jim Collins em seu livro Empresas Feitas para Durar (2018), “para ser de nível 5, o líder precisa dar exemplo de humildade em cada atitude, escutando diversos pontos de vista e, ao invés de falar de si mesmo, empregar exemplos de outras pessoas da equipe”.

Nesse “novo normal” ou, na cunhagem de Roberto Crema em 1989, “nova racionalidade” as organizações que pretenderem conquistar sucesso precisarão se inserir num mundo de Stakeholders 5.0.

Júlio Miranda é consultor, Diretor do Conselho de Presidentes 5.0

julio@conselhodepresidentes.net

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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