Cuidados para a sucessão não falhar : parte 2

PEDRA

A queda do império

O filho amado, criado com todo o carinho e esmero, sem sofrer as agruras do pai, nunca esteve pronto para lutar como seu pai ou seu avô materno. Não tinha as características necessárias, nem a fibra e nem o tino comercial.

Inteligente era, e muito, mas sem domínio próprio e nem força de vontade suficiente para o que viria. Estudante de administração, daqueles que acreditavam no que a escola e os professores ensinavam, ainda fez pós-graduação em mercadologia. Tinha uma enorme facilidade de relacionamento, flexibilidade no trato, capacidade de articular e gosto por inovações, mas faltava garra, dominância, iniciativa e, principalmente, controle sobre os negócios e suas finanças.

Quando os negócios começaram a cair, por força do mercado e suas movimentações, nunca quiseram acreditar que estavam tendo algum tipo de problema.

A vida ainda estava boa, havia crédito, respeitabilidade e uma concorrência honesta; mas vieram os tempos de crise, as mudanças sociais, a concorrência predatória, os novos valores, um novo mundo enfim, e não estavam preparados para tudo aquilo, claro que não, o sucesso anterior os fazia crer em sua continuidade…

E assim, os negócios foram declinando, leeennntttaaamente.

Já não havia mais condições de reversão. Os empregados outrora responsáveis, amigos e produtivos, eram agora atrozes inimigos, buscando na justiça os vários salários não recebidos na administração anterior, tratando com desprezo o cliente, sem a devida visão do negócio, esquecendo-se que era dali que viria o sustento e a “arrumação da casa”, pensavam que ainda estavam no tempo em que podiam se dar ao luxo de olhar o cliente por cima…

Os pais ficaram doentes, demandando cuidados e altos gastos, as dificuldades financeiras se acumulando a cada dia, os negócios indo muito mal, o confronto e o conflito constante com o pai, as acusações de ambas as partes, o pai, empreendedor, achando o filho muito “frouxo” para os negócios, e o filho, executivo, achando que a culpa de tudo era do pai, que não soube administrar bem os negócios e ainda lhe cobrava resultados, na hora mais difícil de sua vida pessoal e empresarial.

O casamento entrou em declínio, os filhos, como caramujos em ambiente hostil, entraram em suas carapaças e passaram a viver seu mundinho pessoal, onde habitavam as derrotas, a decadência física, moral e psicológica.

Ele, com a propriedade e o negócio que lhe restou, em um momento de desespero empresarial, acabou por cair nas mãos dos diversos profissionais especialistas em trapacear e aplicar golpes bem engendrados, ficando sem o negócio, sem a propriedade e sem sua vida pessoal.
Pronto, acabou-se uma era.

Porém, a sorte lhe brilhou!

Anuar S. Mattar
CEO
Konos Human Achievement
www.konos.com.br

Compartilhe!

Share on facebook
Share on twitter
Share on google
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Deixe uma resposta

Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

Receba nossas novidades

Estratégias que merecem destaque

Registre-se aqui para receber em seu e-mail nossas novidades.

Patrocinadores

Temas