Você conhece mesmo suas fraquezas?

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Conhece-te a ti mesmo: A máxima Socrática

“Ah, conheço bem meus pontos fortes e minhas fraquezas. ” Se nós ganhássemos um dólar toda vez que um executivo em coaching diz isso, já teríamos nos aposentado há muito tempo. Quando questionados, muitas vezes eles proclamam que, embora não reconheçam todos os seus pontos fortes, com certeza sabem quais são suas maiores fraquezas.

E, no entanto, o que vemos quando administramos pesquisas de feedback de 360 graus em nome desses líderes é que os executivos com escores muito baixos em uma ou mais áreas geralmente desconhecem completamente suas falhas fatais. Eles ficam chocados com uma pontuação muito baixa, embora cerca de 30% dos líderes que estudamos tenham pelo menos uma falha fatal.

Perceba suas fraquezas

Deixe-nos explicar o que queremos dizer com “falha fatal”. Todo mundo tem fraquezas, mas após aplicar avaliações a dezenas de milhares de líderes, descobrimos que, na maioria das vezes, as fraquezas leves não afetam a eficácia geral da pessoa. Assim, embora os líderes geralmente não tenham consciência de suas fraquezas, isso não os prejudica.

Falhas fatais, no entanto, são diferentes. São fraquezas tão extremas que podem ter um efeito negativo dramático sobre um líder, prejudicando seriamente sua contribuição para a empresa e seu progresso na carreira. Todos percebem isso com clareza, mas a pessoa com a falha fatal quase nunca consegue. E, nesse caso, a cegueira tem um custo alto.

Se conhecer é o primeiro degrau da liderança

Nossos dados mostram que uma percepção muito ruim em uma única característica de liderança importante custa caro. Se a pontuação é inferior a 10% em uma habilidade chave, o indivíduo terá classificação geral no quinto inferior – não importa quão forte ele seja em outras áreas. Em linhas gerais, os líderes não precisam ser excelentes em tudo, mas geralmente não podem ser um fracasso total em uma área e ainda ter sucesso.

Por que é difícil autodiagnosticar as fraquezas

Por que é tão difíceis detectar as fraquezas e as falhas fatais em nós mesmos? Temos uma teoria. Os pontos fortes são vistos como um resultado direto de algum comportamento específico do líder. Por exemplo, eles são extremamente eficazes na resolução de problemas e podem indicar casos específicos em que seu raciocínio rápido salvou um projeto. Ou são excelentes líderes de equipes que realizam um ótimo trabalho, e percebem o resultado na forma de clientes felizes ou prêmios setoriais. Os líderes percebem que uma ação sua produz uma reação positiva, seguida por um resultado comercial positivo.

Com as fraquezas – especialmente as falhas fatais – ocorre o contrário. Falhas fatais são “pecados de omissão”. Elas resultam da inação, do líder não fazer algo. Em nossas avaliações, algumas das falhas fatais mais frequentes são a falta de pensamento estratégico, não assumir a responsabilidade pelos resultados, e não construir relacionamentos fortes.

Como a maioria das falhas fatais são pecados de omissão, elas são mais difíceis de enxergar em nós mesmos. O resultado, afinal, não é visível. É um contrato que não é fechado, ou um projeto que não existe. Esses líderes simplesmente não estão fazendo as coisas acontecerem.

Quando recebem suas baixas pontuações, esses líderes geralmente nos dizem: “Mas eu não fiz nada para merecer essa notas”. No entanto, sabemos que seus colegas estão pensando: “Você merece essas notas porque não fez nada”.

Torne-se mais autoconsciente

Há várias formas de aprender a identificar suas fraquezas e começar a descobrir se elas são graves ou leves.

Você pode começar encontrando um “contador de verdades” que compartilhe um feedback honesto com você. Nossos dados mostram que um grande número de colegas conhecem ou percebem em primeira mão uma falha séria de seu colega. Essas pessoas só precisam ser encontradas – e encorajadas a falar. Elas têm de acreditar que você realmente quer informações honestas. Se elas começam a comunicar a verdade de forma cautelosa e titubeante, seja ativamente receptivo para incentivá-las a se abrirem. Sua reação permitirá que você ouça a história completa.

Busque ajuda para se conhecer

Se isso não funcionar, considere contratar ajuda externa. Seria bom se fosse possível chegar a uma maior autoconsciência pela simples reflexão, mas a verdade é que isso é realmente difícil. Se sua empresa não oferece coaching ou feedback de 360 graus (talvez seja uma opinião tendenciosa, mas achamos que é a melhor maneira de melhorar a autoconsciência), considere contratar um coach ou um terapeuta por conta própria. (O plano de saúde geralmente cobre a terapia, mas não o coaching). Essa pessoa pode ajudá-lo a obter uma melhor compreensão de suas fraquezas e encontrar maneiras de remediá-las.

Conclusão

Pense a respeito. Se cerca de um terço dos líderes têm uma falha fatal e você está sentado em uma reunião de gestão com mais duas pessoas, olhe ao redor. Se, na sua opinião, nenhum desses dois colegas têm uma fraqueza realmente séria, então a lei da estatística sugere que o problema está em você.

Jack Zenger
CEO da Zenger/Folkman, consultoria de desenvolvimento de liderança.
Coautor do artigo “Como se tornar indispensável” (HBR, novembro de 2014) e do livro “Speed: How Leaders Accelerate Successful Execution” (McGraw Hill, 2016).

Joseph Folkman
Presidente da Zenger/Folkman.
Coautor do artigo “Como se tornar indispensável” (HBRBR, novembro de 2014) e do livro “Speed: How Leaders Accelerate Successful Execution” (McGraw Hill, 2016).

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Gestor

Paulo de Vasconcellos Filho, 67 anos, atua como Consultor há 43 anos orientando processos de Planejamento Estratégico em 378 empresas de pequeno, médio e grande porte, que atuam nos mais diversos setores. Publicou seis livros sobre Planejamento Estratégico, sendo o primeiro em 1979 e o mais recente publicado pela Editora Campus, com o título “Construindo Estratégias para Vencer!”

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